sexta-feira, 15 de maio de 2009

FORD, 1a. montadora brasileira

OESP Caderno Negócios 07/05/09 B19

No fim da década de 90, analistas do mercado automotivo e financeiro apostavam que a Ford deixaria o País, tão intensa era a crise enfrentada pela empresa. Passado alguns anos, a marca conseguiu se recuperar, construiu uma nova fábrica na Bahia e lançou veículos de sucesso, como o EcoSport. Este mês, ao completar 90 anos de Brasil, a montadora reporta um crescimento de 20% nas vendas no primeiro quadrimestre, num mercado total que praticamente repetiu os números do ano passado em igual período.O presidente da Ford Brasil e Mercosul, Marcos de Oliveira, afirma que o modelo de reestruturação adotado pela subsidiária, que cortou custos mas não poupou investimentos, foi adaptado pela matriz nos Estados Unidos, hoje a única entre as três maiores fabricantes americanas que não está à beira de trocar de comando acionário e nem depende de ajuda governamental para se manter."Acho que a Ford americana vai sair dessa crise internacional mais fortalecida como empresa, embora menor", diz Oliveira. A Ford se desfez das marcas Land Rover, Jaguar e Aston Martin e ainda estuda a venda da Volvo Car. A América do Sul, onde o Brasil responde por mais de 60% das vendas, também deu uma força à recuperação da matriz com envio de dividendos. A região completou neste início de ano 21 trimestres seguidos de lucro.Embora o ganho tenha diminuído sensivelmente em relação ao ano passado - o lucro no primeiro trimestre foi de apenas US$ 63 milhões ante US$ 257 milhões em 2008 -, Oliveira ressalta que a América do Sul foi a única região a ter resultado positivo no período."O valor menor é reflexo do aumento dos custos das commodities, principalmente do aço, e da desvalorização do real", justifica o executivo. No mesmo trimestre, a Ford como um todo teve prejuízo de US$ 1,4 bilhão.Oliveira lembra que o histórico da Ford - a primeira montadora a se instalar no Brasil, inicialmente para montar o lendário Ford T -, inclui uma fusão com a alemã Volkswagen. De 1986 a 1995 as duas companhias passaram a operar conjuntamente, na chamada Autolatina. "Há exemplos de fusões que dão certo, e outras não", diz o executivo, ao ser questionado sobre as negociações entre Fiat, Chrysler e GM na Europa e EUA. A Autolatina está no grupo das que fracassaram. A Ford saiu da experiência em grave crise. A recuperação só ocorreu a partir de 2004.Oliveira concorda, porém, que no cenário futuro haverá "menos grupos automotivos, mas com maior escala produtiva e capacidade de multiplicar os efeitos dos investimentos em produtos e processos globais".

RANKING
Nos anos da crise, a Ford chegou a ficar com apenas 6% de participação no mercado brasileiro. Hoje, com mais empresas disputando clientes do que naquela época, detém 11,4%, com vendas de 103 mil veículos no primeiro quadrimestre."Crescemos dois pontos em relação ao ano passado", informa Oliveira. A marca vem se mantendo no quarto lugar no ranking nacional. Segundo Oliveira, é claro que a empresa quer ganhar pontos, mas, antes disso, a estratégia é aumentar volume de produção e vendas.O grupo mantém seu plano de investimento de R$ 3,4 bilhões para o período 2007/2012 e prepara para este ano seis lançamentos, todos de renovação de modelos já disponíveis. Carro nacional novo, só a partir de 2010, quando chegará ao mercado a nova família de motores que está sendo desenvolvida na fábrica de Taubaté (SP).Amanhã, a empresa lança o novo sedã Fusion, lançamento que ocorre quase ao mesmo tempo em que o modelo, que ganhou design e interior diferentes, chega aos Estados Unidos, Canadá, México e Colômbia. O modelo é fabricado no México.A primeira versão do Fusion foi lançada no País em 2006 e, segundo Oliveira, "ocupou um espaço vazio" no segmento de sedãs com preços entre R$ 80 mil a R$ 100 mil. O mesmo havia ocorrido com o EcoSport, que inaugurou um nicho antes inexistente no mercado brasileiro, o de utilitários-esportivos de pequeno porte. Nos dois casos, a concorrência foi atrás.

CRONOLOGIA
1919, PRIMEIRA MONTADORA BRASILEIRA - Ford instala um galpão na rua Florêncio de Abreu, em São Paulo, para montagem do Ford T
1953, AMPLIAÇÃO - Inaugurada fábrica de automóveis, caminhões e tratores no Ipiranga, em São Paulo
1967, ABC - Com a aquisição da fábrica da Willys, em São Bernardo, produz o 1º carro nacional, o Galaxie 500
1974, NOVA UNIDADE - Inauguração da fábrica de motores em Taubaté (SP)
1986, CASAMENTO - Ford une-se à Volkswagen na empresa batizada de Autolatina
1990, MOVIMENTO SINDICAL - Em greve por salários, operários depredam carros e escritórios na fábrica do ABC. A paralisação durou mais de 50 dias
1995, SEPARAÇÃO - Fim da Autolatina
1998, CORTES NO NATAL - Empresa anuncia 2,8 mil demissões em dezembro, quase metade da mão de obra no ABC, que estava em férias
1999, SAÍDA NEGOCIADA - Funcionários iniciam greve e ocupam a fábrica. Após várias semanas, empresa negocia plano de desligamento de excedentes
2001, DESCENTRALIZAÇÃO - Fábrica de Camaçari (BA) inicia a produção do Fiesta e depois do EcoSport. Unidade de caminhões é transferida do Ipiranga para o ABC
2007, NOVO COMPACTO - Grupo anuncia investimentos de US$ 2,2 bilhões no País e lança a nova versão do Ka
2009, NO AZUL - Com os resultados deste ano, registra 21 trimestres seguidos de lucro, somando ao todo US$ 3,5 bilhões na América do Sul.

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http://www.estadao.com.br/geral/not_ger370143,0.htm