http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100414/not_imp538077,0.php
14/04/2010
Janelas podres, paredes com rachaduras e telhados destruídos são cenário em local que, além do Exército e da PM, abrigou hospício
Rodrigo Brancatelli - O Estado de S.Paulo
"Por aqui passaram os melhores soldados do Exército Brasileiro", diz a frase pintada em vermelho no alto do portal da antiga sede do 2º Batalhão de Guardas, no Parque Dom Pedro II, centro de São Paulo. Por ali agora passam o abandono, a degradação e a negligência com um dos imóveis mais importantes da história paulistana. De símbolo da polícia paulista e do próprio Exército, o quartel se resume hoje a muito entulho, telhados quebrados, infiltrações, cupins, paredes prestes a ruir e memórias esquecidas. É um triste resumo do patrimônio de São Paulo, mais um daqueles bens tombados imperceptíveis, que estão ali mas ninguém se dá conta.
Os arcos, paredes, a capela e a quadra do local guardam capítulos essenciais da memória da cidade. Reza a lenda que o prédio do 2.º Batalhão de Guardas foi um presente de d. Pedro I a dona Domitila de Castro Canto e Mello, a marquesa de Santos. Quando chegava a São Paulo, o imperador dormia por ali e, possivelmente, encontrava-se com a marquesa. O endereço acabou mais tarde sendo transformado na sede de uma chácara da Várzea do Carmo, depois foi ocupado pelo Seminário das Educandas e anos depois pelo Hospício dos Alienados - onde chegou a morrer o poeta de Santo Amaro Paulo Eiró, em 1871.
Exército.
Com o golpe militar em 1964, o quartel foi tomado pelo Exército, primeiro como sede da 7.ª Companhia de Guarda e depois do 2.º Batalhão de Guardas, reunindo cerca de 900 homens até 1992. A degradação começou a partir de1995, quando o quartel foi ocupado pelo 3.º Batalhão da Polícia de Choque do Estado de São Paulo.
A falta de investimentos e a velha receita de descaso com o patrimônio histórico foram pouco a pouco dilapidando a beleza do quartel, destruindo telhados, trazendo a ferrugem, criando infiltrações. Hoje, o prédio é apenas um arremedo de seu passado, um bocado de entulho e de paredes prestes a cair que guardam poucos vislumbres do charme do século 19. Também serve como um exemplo da degradação da região, igualmente esquecida nas últimas décadas.
Soldado.
"Aquilo está à venda, mas ninguém quer comprar porque não vale a pena restaurar", diz o gerente de loja Héveles Martinez, de 50 anos, soldado do 2.º Batalhão de Guardas em 1978. "Então o que está acontecendo é que estão esperando tudo cair de vez, para aí sim construir um espigão residencial. Desde 2004 eu chamo a atenção para o abandono do quartel, já tirei fotos, enviei carta para o governo, mas ninguém respondeu. Mesmo tombado pelo patrimônio histórico, é um monumento que corre o risco de virar pó."
A degradação é vista de longe, até mesmo da Estação Dom Pedro II. Parte do telhado já caiu, o resto parece fadado ao mesmo destino durante uma futura chuva forte. Absolutamente todos os galpões aparecem deteriorados - o piso está forrado por pó de madeira, símbolo mais do que visível da ação dos cupins. Janelas estão podres, paredes exibem rachaduras que mais parecem cicatrizes gigantes. O assoalho da capela está afundando, bem como o piso da quadra do quartel - que já serviu para treinamentos do atleta João do Pulo, então 3.º sargento no 2.º Batalhão de Guardas.
A Polícia Militar afirmou que irá fazer um diagnóstico completo do imóvel, mas não há prazos para o restauro. O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado (Condephaat) disse que já notificou a PM por falta de manutenção. "Eu ainda guardo lembranças sensacionais do quartel, o prédio respira história", diz Martinez. "Hoje, só tenho desgosto, até chorei quando notei a situação dos galpões. É muito triste ver a maneira que trataram a nossa memória."
CRONOLOGIA
Descaso com o patrimônio
1860
Seminário e hospícioConstruído para ser sede de uma chácara, o imóvel é ocupado pelo Seminário das Educandas. Anos depois, passa a ser o Hospício dos Alienados, onde, em 1871, faleceu o poeta Paulo Eiró, de Santo Amaro
1930
ExércitoO imóvel no Parque Dom Pedro passa à antiga Força Pública, mas com o golpe militar em 1964 é ocupado pelo Exército Brasileiro
1995
DecadênciaO imóvel passa a pertencer ao 3.º Batalhão da Polícia de Choque do Estado de São Paulo. A Polícia Militar informou por meio de sua assessoria de imprensa que tem planos de restaurar o local
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Mosteiro de São Bento, em Sorocaba, festeja 350 anos em 23/04/2010
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100423/not_imp541864,0.php
José Maria Tomazela, SOROCABA - O Estado de S.Paulo
O monge d. José Carlos Camorin Gatti, de 78 anos, é o guardião solitário de uma relíquia. Ele administra o Mosteiro de São Bento, em Sorocaba, que ontem completou 350 anos. O trabalho de restauração do edifício custará R$ 4 milhões. A obra, iniciada em 2003, revelou que grande parte da estrutura é original.
As paredes de taipa da Igreja de Sant"Anna, a primeira construção do mosteiro, são as mesmas erguidas com barro socado pelos escravos do bandeirante Baltazar Fernandes, seis anos antes da doação feita aos beneditinos, em abril de 1660. A clausura e outras instalações têm alguns anos a menos: foram construídas de taipa de pilão e de torrão, em 1667. "É tudo daquela época. O que havia de tijolo, era na verdade a taipa encamisada, protegida pelo material cerâmico", explica o monge.
O Mosteiro de Sorocaba é o único da congregação beneditina no Brasil que mantém a originalidade. "Outros mais antigos, como o de Salvador, Olinda (PE), e mesmo os de São Paulo e Rio, já não possuem os prédios originais", afirma o pesquisador Luiz Almeida Marins Filho.
O prédio atual de São Paulo é do século 20. O mosteiro de Olinda foi destruído por um incêndio durante a invasão holandesa em 1632 e a reconstrução levou décadas. "(O Mosteiro de Sorocaba) é um dos únicos no mundo que tem mais de três séculos com a presença ininterrupta dos monges", destaca Martins Filho. O mosteiro guarda preciosidades como o altar-mor esculpido com madeira, com lâminas de ouro aplicadas no retábulo, trazido de Portugal no século 18.
Homenagens.
Os Correios lançaram um selo dos 350 anos, reproduzindo quadro da artista Sonia Vubleski. E a Casa da Moeda lançou medalhas de bronze (R$250), prata (R$400) e ouro (R$20 mil), à venda no local.
Serviço
O MOSTEIRO FICA ABERTO À VISITAÇÃO DE SEGUNDA A SEXTA, DAS 6H30 ÀS 11 E DAS 13H30 ÀS 17 HORAS; AOS SÁBADOS, DAS 6H30 ÀS 11 H E DAS 17 ÀS 20 HORAS; E AOS DOMINGOS, DAS 8 ÀS 11 H. A MISSA É CELEBRADA NA HORA QUE ANTECEDE O FECHAMENTO
José Maria Tomazela, SOROCABA - O Estado de S.Paulo
O monge d. José Carlos Camorin Gatti, de 78 anos, é o guardião solitário de uma relíquia. Ele administra o Mosteiro de São Bento, em Sorocaba, que ontem completou 350 anos. O trabalho de restauração do edifício custará R$ 4 milhões. A obra, iniciada em 2003, revelou que grande parte da estrutura é original.
As paredes de taipa da Igreja de Sant"Anna, a primeira construção do mosteiro, são as mesmas erguidas com barro socado pelos escravos do bandeirante Baltazar Fernandes, seis anos antes da doação feita aos beneditinos, em abril de 1660. A clausura e outras instalações têm alguns anos a menos: foram construídas de taipa de pilão e de torrão, em 1667. "É tudo daquela época. O que havia de tijolo, era na verdade a taipa encamisada, protegida pelo material cerâmico", explica o monge.
O Mosteiro de Sorocaba é o único da congregação beneditina no Brasil que mantém a originalidade. "Outros mais antigos, como o de Salvador, Olinda (PE), e mesmo os de São Paulo e Rio, já não possuem os prédios originais", afirma o pesquisador Luiz Almeida Marins Filho.
O prédio atual de São Paulo é do século 20. O mosteiro de Olinda foi destruído por um incêndio durante a invasão holandesa em 1632 e a reconstrução levou décadas. "(O Mosteiro de Sorocaba) é um dos únicos no mundo que tem mais de três séculos com a presença ininterrupta dos monges", destaca Martins Filho. O mosteiro guarda preciosidades como o altar-mor esculpido com madeira, com lâminas de ouro aplicadas no retábulo, trazido de Portugal no século 18.
Homenagens.
Os Correios lançaram um selo dos 350 anos, reproduzindo quadro da artista Sonia Vubleski. E a Casa da Moeda lançou medalhas de bronze (R$250), prata (R$400) e ouro (R$20 mil), à venda no local.
Serviço
O MOSTEIRO FICA ABERTO À VISITAÇÃO DE SEGUNDA A SEXTA, DAS 6H30 ÀS 11 E DAS 13H30 ÀS 17 HORAS; AOS SÁBADOS, DAS 6H30 ÀS 11 H E DAS 17 ÀS 20 HORAS; E AOS DOMINGOS, DAS 8 ÀS 11 H. A MISSA É CELEBRADA NA HORA QUE ANTECEDE O FECHAMENTO
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