quarta-feira, 13 de abril de 2011
Todo modernoso - De salão de hotel a espaço cultural
OESP 04/04/2011 Cidades C6 Por Edison Veiga Ali na Praça Ramos de Azevedo, pertinho do Teatro Municipal, funcionava o Esplanada, inaugurado em 1923 como o mais elegante hotel de São Paulo. Desde os anos 1960, o prédio abriga a sede da empresa Votorantim. Há quatro anos, os arquitetos do escritório Metro foram lá chamados para projetar uma área de exposições. "Vimos um salão no térreo, provavelmente uma área de serviço do antigo hotel, que era usada como setor de arquivo morto pela Votorantim", conta o arquiteto Martin Corullon, um dos responsáveis pela obra. "Era uma área incrível (de cerca de 600 metros quadrados) e fizemos uma intervenção forte." Em 2008, era aberto o Espaço Votorantim, que consumiu investimentos de R$ 1,5 milhão e conta, por meio de documentos textuais, fotos, vídeos e livros, um pouco da história industrial do Brasil. Com agendamento prévio, é possível visitar o endereço gratuitamente. Os telefones são(11) 2159-3297 ou (11) 3224-7070 e o e-mail é contato@memoriavotorantim.com.br. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 10 horas às 16h30.
Qual foi a primeira rua asfaltada de São Paulo?
OESP 04/04/2011 Cidades C6 Por Edison Veiga A Avenida Paulista. Com material importado da Alemanha, a via recebeu asfalto em 1909 - quando ainda não tinha a vocação empresarial de hoje, mas abrigava dezenas de casarões dos barões do café. E quando ela foi inaugurada? Há quase 120 anos, em dezembro de 1891, idealizada pelo engenheiro Joaquim Eugênio de Lima (1845-1902). Na época, cogitou-se homenageá-lo, batizando a via com seu nome. Mas ele não quis a honraria, dizendo que teria de ser "Avenida Paulista em homenagem aos paulistas". Outros nomes aventados foram Avenida das Acácias e Prado de São Paulo.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Um mercado persa ao lado do Tamanduateí
OESP CIDADES 30/01/2011
Bruno Tavares e Diogo Zanchetta
Primeiro registro de camelôs em São Paulo é de 1912, quando libaneses começaram a estender tapetes em botes enfileirados ao lado do rio
O primeiro camelódromo de São Paulo era uma espécie de mercado persa às margens do Rio Tamanduateí. No início do século, por volta de 1912, a Rua 25 de Março ainda tinha a alcunha de "Rua de Baixo" quando sírios e libaneses abriam suas malas com mostras de tecidos contrabandeados. Mercadorias como tapetes e ervas medicinais também eram estendidas por eles em botes que ficavam enfileirados na beira do rio.
O burburinho causado pelo comércio dos "mascates turcos", como eram chamados, atraía gente de toda a cidade. Os libaneses faziam pagamentos parcelados e davam descontos como nenhum outro lojista da época. A região era a mais movimentada de São Paulo e passagem para quem ia do centro para a Mooca, na zona leste, ou vice-versa.
"O pagamento por prestação chegou em São Paulo com os camelôs libaneses e sírios. Eles usavam até mesmo códigos para demarcar a porta dos compradores que pagavam em dia. Como não sabiam o nome das cores, eles também vendiam tapetes na base da comunicação visual, por gestos", conta o historiador e urbanista Benedito Lima de Toledo, da USP. "Eram os "turcos da prestação"", acrescenta Toledo.
As barracas dos ambulantes sírios e libaneses aos poucos viraram lojas do comércio atacadista, principalmente de tecidos. Mas o costume de abordar os clientes nas ruas permaneceu, assim como a oferta de preços sempre mais baixos que os da concorrência. Com a chegada de portugueses, italianos e chineses, a partir de 1940, a Rua 25 de Março também passou a abrigar lojas de bijuterias e de miudezas.
Com o passar dos anos, surgiram ambulantes que vendiam a preços reduzidos as mesmas mercadorias das lojas da 25. Era comum ver moradores de áreas mais afastadas da zona leste gritando no meio da rua "olha a bola de gude, olha o tecido, olha o anel!" As mercadorias dos ambulantes tinham qualidade inferior. O apresentador Silvio Santos, por exemplo, vendeu canetas como camelô no centro da capital até o início da década de 1950.
Toledo avalia que a ocupação das ruas que se deu na capital a partir do contrabando de eletrônicos, no início dos anos 1980, não tem paralelo em nenhum lugar do mundo. "O centro de São Paulo tem espaço para a venda legal dessas mercadorias escoadas pelos ambulantes. É um atraso permitir a ocupação desordenada do centro com um comércio que não tem obrigação social nenhuma. As autoridades precisam criar um ambiente no comércio propício para a entrada dos clandestinos na formalidade", avalia o historiador. Ele vê como positiva a repressão adotada pela Prefeitura em parceria com a Polícia Militar contra os informais. "Camelô também é questão de segurança pública", conclui Toledo.
Bruno Tavares e Diogo Zanchetta
Primeiro registro de camelôs em São Paulo é de 1912, quando libaneses começaram a estender tapetes em botes enfileirados ao lado do rio
O primeiro camelódromo de São Paulo era uma espécie de mercado persa às margens do Rio Tamanduateí. No início do século, por volta de 1912, a Rua 25 de Março ainda tinha a alcunha de "Rua de Baixo" quando sírios e libaneses abriam suas malas com mostras de tecidos contrabandeados. Mercadorias como tapetes e ervas medicinais também eram estendidas por eles em botes que ficavam enfileirados na beira do rio.
O burburinho causado pelo comércio dos "mascates turcos", como eram chamados, atraía gente de toda a cidade. Os libaneses faziam pagamentos parcelados e davam descontos como nenhum outro lojista da época. A região era a mais movimentada de São Paulo e passagem para quem ia do centro para a Mooca, na zona leste, ou vice-versa.
"O pagamento por prestação chegou em São Paulo com os camelôs libaneses e sírios. Eles usavam até mesmo códigos para demarcar a porta dos compradores que pagavam em dia. Como não sabiam o nome das cores, eles também vendiam tapetes na base da comunicação visual, por gestos", conta o historiador e urbanista Benedito Lima de Toledo, da USP. "Eram os "turcos da prestação"", acrescenta Toledo.
As barracas dos ambulantes sírios e libaneses aos poucos viraram lojas do comércio atacadista, principalmente de tecidos. Mas o costume de abordar os clientes nas ruas permaneceu, assim como a oferta de preços sempre mais baixos que os da concorrência. Com a chegada de portugueses, italianos e chineses, a partir de 1940, a Rua 25 de Março também passou a abrigar lojas de bijuterias e de miudezas.
Com o passar dos anos, surgiram ambulantes que vendiam a preços reduzidos as mesmas mercadorias das lojas da 25. Era comum ver moradores de áreas mais afastadas da zona leste gritando no meio da rua "olha a bola de gude, olha o tecido, olha o anel!" As mercadorias dos ambulantes tinham qualidade inferior. O apresentador Silvio Santos, por exemplo, vendeu canetas como camelô no centro da capital até o início da década de 1950.
Toledo avalia que a ocupação das ruas que se deu na capital a partir do contrabando de eletrônicos, no início dos anos 1980, não tem paralelo em nenhum lugar do mundo. "O centro de São Paulo tem espaço para a venda legal dessas mercadorias escoadas pelos ambulantes. É um atraso permitir a ocupação desordenada do centro com um comércio que não tem obrigação social nenhuma. As autoridades precisam criar um ambiente no comércio propício para a entrada dos clandestinos na formalidade", avalia o historiador. Ele vê como positiva a repressão adotada pela Prefeitura em parceria com a Polícia Militar contra os informais. "Camelô também é questão de segurança pública", conclui Toledo.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Seis roteiros para curtir São Paulo a pé (e sem pressa)
OESP Cidades C8 de 28/11/2010
Edison Veiga
SPTuris lança, em site, serviço para que as pessoas montem seus passeios temáticos pela cidade; mapa é criado automaticamente
A ideia é tão simples que parece uma daquelas que você se pergunta por que não tiveram antes. A SPTuris - empresa oficial de turismo da cidade de São Paulo - está usando o serviço de mapas do Google para criar roteiros temáticos para quem quer conhecer a capital. A pé.
Por enquanto, há seis deles disponíveis: Centro de São Paulo; Cultura na Avenida Paulista; Cultura Oriental na Liberdade; Prédios Históricos do Centro; Rua Oscar Freire e Arredores e Vila Madalena. Eles podem ser conferidos no link http://migre.me/2vQsw. "Nossa meta é chegar a 12", adianta o diretor de Turismo e Entretenimento da SPTuris, Luiz Sales.
Mas a graça da ferramenta não está somente nos temas dos roteiros. A partir das sugestões predefinidas pelo site - há cartões-postais conhecidos, lojas bacanas e bares e restaurantes famosos, entre outros pontos peculiares de cada região -, o turista pode selecionar os que mais lhe interessam. A ferramenta cria, então, o roteiro com os itens dispostos na melhor ordem para a pessoa fazer a pé. Aí, é só imprimir o mapa.
Claro que nem tudo é perfeito. Como o sistema é automático, pode acontecer de algum trecho ser íngreme demais ou, pior, não ter calçadas. "A gente até coloca o alerta no site, pois sabemos que alguns locais são de difícil acesso", lembra Sales. "Mas nosso propósito é mostrar que São Paulo é, sim, uma cidade que pode ser explorada a pé."
Repercussão. A iniciativa é bem-vista por pessoas do ramo. O historiador Roney Cytrynowicz, organizador de uma coleção de guias a pé publicados desde 2007 pela Editora Narrativa Um, lembra que muitos, paulistanos ou turistas de fora, sentem prazer em conhecer a cidade a pé. "O site me pareceu bem interessante. É um trabalho muito legal", comenta, com o conhecimento de causa de quem participa, mensalmente, de passeios do tipo, organizados pela sua editora em parceria com um portal de arquitetura.
Há seis anos à frente do projeto Caminhada Noturna Pelo Centro, o empresário Carlos Beutel - que contabiliza 258 passeios realizados, incluindo o da última quinta - é outro entusiasta da ideia. "Só a pé você consegue descobrir a cidade, observar a riqueza dos detalhes. Até hoje me espanto com o encantamento das pessoas nesses tours", diz.
Edison Veiga
SPTuris lança, em site, serviço para que as pessoas montem seus passeios temáticos pela cidade; mapa é criado automaticamente
A ideia é tão simples que parece uma daquelas que você se pergunta por que não tiveram antes. A SPTuris - empresa oficial de turismo da cidade de São Paulo - está usando o serviço de mapas do Google para criar roteiros temáticos para quem quer conhecer a capital. A pé.
Por enquanto, há seis deles disponíveis: Centro de São Paulo; Cultura na Avenida Paulista; Cultura Oriental na Liberdade; Prédios Históricos do Centro; Rua Oscar Freire e Arredores e Vila Madalena. Eles podem ser conferidos no link http://migre.me/2vQsw. "Nossa meta é chegar a 12", adianta o diretor de Turismo e Entretenimento da SPTuris, Luiz Sales.
Mas a graça da ferramenta não está somente nos temas dos roteiros. A partir das sugestões predefinidas pelo site - há cartões-postais conhecidos, lojas bacanas e bares e restaurantes famosos, entre outros pontos peculiares de cada região -, o turista pode selecionar os que mais lhe interessam. A ferramenta cria, então, o roteiro com os itens dispostos na melhor ordem para a pessoa fazer a pé. Aí, é só imprimir o mapa.
Claro que nem tudo é perfeito. Como o sistema é automático, pode acontecer de algum trecho ser íngreme demais ou, pior, não ter calçadas. "A gente até coloca o alerta no site, pois sabemos que alguns locais são de difícil acesso", lembra Sales. "Mas nosso propósito é mostrar que São Paulo é, sim, uma cidade que pode ser explorada a pé."
Repercussão. A iniciativa é bem-vista por pessoas do ramo. O historiador Roney Cytrynowicz, organizador de uma coleção de guias a pé publicados desde 2007 pela Editora Narrativa Um, lembra que muitos, paulistanos ou turistas de fora, sentem prazer em conhecer a cidade a pé. "O site me pareceu bem interessante. É um trabalho muito legal", comenta, com o conhecimento de causa de quem participa, mensalmente, de passeios do tipo, organizados pela sua editora em parceria com um portal de arquitetura.
Há seis anos à frente do projeto Caminhada Noturna Pelo Centro, o empresário Carlos Beutel - que contabiliza 258 passeios realizados, incluindo o da última quinta - é outro entusiasta da ideia. "Só a pé você consegue descobrir a cidade, observar a riqueza dos detalhes. Até hoje me espanto com o encantamento das pessoas nesses tours", diz.
Nos hotéis, a memória do centro
OESP Cidades C9 de 07/11/2010
Rodrigo Brancatellli
Nos hotéis, a memória do centro
Em viagem por São Paulo em 1819, o escritor e botânico francês Auguste de Saint-Hilaire classificou a única estalagem das redondezas como "imunda" e "deplorável". Era reflexo de uma cidade ainda provinciana, quase um vilarejo, com menos de 25 mil habitantes, sem ruas retificadas ou condições sanitárias adequadas. Desde então, a inauguração de hotéis em São Paulo esteve sempre intimamente ligada ao desenvolvimento paulistano, um testamento das transformações sociais e urbanísticas da metrópole em formação.
A mesma tendência ocorre atualmente, mesmo na São Paulo de 11 milhões de habitantes, 410 hotéis e 42 mil quartos. Depois de anos sem novidades, quase como nos tempos de Saint-Hilaire, o setor hoteleiro no centro voltou a ter investimentos em 2010, com a inauguração de dois hotéis e a promessa de três grandes bandeiras nos próximos anos nas imediações das Ruas São Bento e Doutor Vieira de Carvalho. Novamente, reflexo de uma cidade que quer recuperar sua memória e voltar a ocupar seu centro histórico.
A região central sempre foi o principal polo hoteleiro da capital", diz o engenheiro Caio Calfat Jacob, consultor hoteleiro e diretor do Secovi-SP. Com base em uma pesquisa de quase cinco anos, ele vai participar, no próximo dia 27, do evento 100 Anos da Hotelaria no Centro de São Paulo, que contará com palestras e um passeio pelos endereços que abrigaram os principais hotéis neste período (informações e inscrições pelo telefone 5591-1304). "O problema foi que, a partir de 1980, os setores bancário, econômico e político de São Paulo foram para outros bairros mais afastados e os hotéis também se mudaram. Mas agora há indícios que apontam que as grandes redes estão apostando novamente no centro, com a construção de empreendimentos ou a reforma de antigos."
Como os hotéis são elementos marcantes na paisagem das cidades, é possível traçar um paralelo da cronologia do setor hoteleiro no centro de São Paulo com a própria evolução arquitetônica e socioeconômica da capital - dos pioneiros Hotel Palm e Grand Hotel até os renomados Ca"d"Oro e Hilton, suas histórias ajudam a entender o crescimento da cidade. "O setor hoteleiro representa, assim, o desenvolvimento de São Paulo", diz Jacob.
Rodrigo Brancatellli
Nos hotéis, a memória do centro
Em viagem por São Paulo em 1819, o escritor e botânico francês Auguste de Saint-Hilaire classificou a única estalagem das redondezas como "imunda" e "deplorável". Era reflexo de uma cidade ainda provinciana, quase um vilarejo, com menos de 25 mil habitantes, sem ruas retificadas ou condições sanitárias adequadas. Desde então, a inauguração de hotéis em São Paulo esteve sempre intimamente ligada ao desenvolvimento paulistano, um testamento das transformações sociais e urbanísticas da metrópole em formação.
A mesma tendência ocorre atualmente, mesmo na São Paulo de 11 milhões de habitantes, 410 hotéis e 42 mil quartos. Depois de anos sem novidades, quase como nos tempos de Saint-Hilaire, o setor hoteleiro no centro voltou a ter investimentos em 2010, com a inauguração de dois hotéis e a promessa de três grandes bandeiras nos próximos anos nas imediações das Ruas São Bento e Doutor Vieira de Carvalho. Novamente, reflexo de uma cidade que quer recuperar sua memória e voltar a ocupar seu centro histórico.
A região central sempre foi o principal polo hoteleiro da capital", diz o engenheiro Caio Calfat Jacob, consultor hoteleiro e diretor do Secovi-SP. Com base em uma pesquisa de quase cinco anos, ele vai participar, no próximo dia 27, do evento 100 Anos da Hotelaria no Centro de São Paulo, que contará com palestras e um passeio pelos endereços que abrigaram os principais hotéis neste período (informações e inscrições pelo telefone 5591-1304). "O problema foi que, a partir de 1980, os setores bancário, econômico e político de São Paulo foram para outros bairros mais afastados e os hotéis também se mudaram. Mas agora há indícios que apontam que as grandes redes estão apostando novamente no centro, com a construção de empreendimentos ou a reforma de antigos."
Como os hotéis são elementos marcantes na paisagem das cidades, é possível traçar um paralelo da cronologia do setor hoteleiro no centro de São Paulo com a própria evolução arquitetônica e socioeconômica da capital - dos pioneiros Hotel Palm e Grand Hotel até os renomados Ca"d"Oro e Hilton, suas histórias ajudam a entender o crescimento da cidade. "O setor hoteleiro representa, assim, o desenvolvimento de São Paulo", diz Jacob.
OESP Cidades C4 de 25/07/2010
Diego Zanchetta
Em 1720, para combater o contrabando de carnes para a Vila de Santos, os vereadores estabeleceram que o açougue da cidade funcionaria dentro da nova sede da Câmara, construída no primeiro andar de um sobrado no Largo do Ouvidor, no cômodo ao lado da cadeia. Todo criador de gado teria de cortar suas carnes no local, sob vigilância de um mercenário contratado pelos parlamentares.
E o "envio da carne para o mar", segundo as atas da Câmara, tinha uma punição para o infrator: um ano na "Fortaleza de Bertioga".
Diego Zanchetta
Em 1720, para combater o contrabando de carnes para a Vila de Santos, os vereadores estabeleceram que o açougue da cidade funcionaria dentro da nova sede da Câmara, construída no primeiro andar de um sobrado no Largo do Ouvidor, no cômodo ao lado da cadeia. Todo criador de gado teria de cortar suas carnes no local, sob vigilância de um mercenário contratado pelos parlamentares.
E o "envio da carne para o mar", segundo as atas da Câmara, tinha uma punição para o infrator: um ano na "Fortaleza de Bertioga".
Vereador faltou? Multa de dez cabeças de gado
OESP Cidades C4 de 25/07/2010
Diego Zanchetta
Era uma tarde chuvosa do dia 13 de março de 1621. Seria debatida na sessão da Câmara Municipal, na Rua do Carmo, a abertura de novas ruas na Vila de Piratininga. Mas o procurador do conselho, vereador e fazendeiro João Rodrigues Moura se ausentou sem justificativa e a discussão sobre o "arruamento" foi suspensa. Seus pares, então, aplicaram pela primeira vez a pena prevista para a falta parlamentar: pagamento de um tostão ou dez cabeças de gado.
Nos anos seguintes, até o início do século 19, era comum o vereador ausente da sessão ser multado. Alguns parlamentares, moradores da região onde hoje fica o distrito de Santo Amaro, tinham de percorrer três horas a cavalo para chegar ao centro e não aceitavam as justificativas de falta de quem morava na vila, perto do Paço Municipal. Foi o caso de Moura, que vivia num sobrado ao lado do Rio Anhangabaú.
Outra punição aos parlamentares foi adotada na sessão do dia 14 de março de 1665: ao presidente da Câmara que andasse a cavalo sem a vara vermelha que distinguia sua posição caberia a multa de 2 tostões.
Diego Zanchetta
Era uma tarde chuvosa do dia 13 de março de 1621. Seria debatida na sessão da Câmara Municipal, na Rua do Carmo, a abertura de novas ruas na Vila de Piratininga. Mas o procurador do conselho, vereador e fazendeiro João Rodrigues Moura se ausentou sem justificativa e a discussão sobre o "arruamento" foi suspensa. Seus pares, então, aplicaram pela primeira vez a pena prevista para a falta parlamentar: pagamento de um tostão ou dez cabeças de gado.
Nos anos seguintes, até o início do século 19, era comum o vereador ausente da sessão ser multado. Alguns parlamentares, moradores da região onde hoje fica o distrito de Santo Amaro, tinham de percorrer três horas a cavalo para chegar ao centro e não aceitavam as justificativas de falta de quem morava na vila, perto do Paço Municipal. Foi o caso de Moura, que vivia num sobrado ao lado do Rio Anhangabaú.
Outra punição aos parlamentares foi adotada na sessão do dia 14 de março de 1665: ao presidente da Câmara que andasse a cavalo sem a vara vermelha que distinguia sua posição caberia a multa de 2 tostões.
Assinar:
Postagens (Atom)
