domingo, 6 de novembro de 2011

Os guardiões de um patrimônio em ruínas

Por Vitor Hugo Brandalise

OESP METRÓPOLE C10 30/09/2011

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,os-guardioes-de-um-patrimonio-em-ruinas,779342,0.htm

"Prédios tombados de São Paulo, de notável importância histórica, só não estão no chão porque alguém toma conta enquanto os donos não decidem o futuro desses edifícios"


Vila operária em Perus (Filipe Araújo / AE)

A Fábrica de Cimentos Portland, de onde saiu o concreto que construiu Brasília, no fim dos anos 1950, está em ruínas, escondida no extremo norte da capital paulista. O antigo Santapaula Iate Clube, luxuoso projeto do arquiteto João Batista Vilanova Artigas à beira da Represa do Guarapiranga, também luta para ficar de pé. Na Mooca, zona leste, um dos prédios mais representativos do antigo polo têxtil do bairro, com maquinário desativado há décadas, está abandonado. São edifícios tombados, de notável importância histórica, que foram deixados de lado com o tempo e só não estão no chão hoje porque há alguém que tome conta.

Enquanto os proprietários não decidem o futuro dos prédios, zeladores fazem as vezes de cuidadores desse patrimônio. A Expedição Metrópole visitou algumas das ruínas urbanas da capital.

São prédios históricos abandonados, que retratam diferentes fases da história da cidade, hoje transformados em residências de poucos - e, de certa forma, privilegiados - moradores.

Vila Triângulo. Em Perus, na zona norte, a vila operária da Fábrica de Cimentos Portland vive seus últimos dias. O vilarejo - que já serviu de abrigo a 70 famílias de operários da primeira fábrica de cimento do País, inaugurada em 1926 - foi invadido, inicialmente, por usuários de drogas e agora passa por um processo de desocupação comandado pelos atuais proprietários, o Grupo J.J.Abdalla. A antiga capela de São José, que dá aparência ainda mais idílica ao arborizado local de ruas de terra, não celebra missas desde a década de 1990.

Apenas três famílias vivem atualmente nas casas - todos familiares de antigos funcionários. "A vila era o parque de diversões de Perus. Tinha festa no Clube Caramanchão, aqui dentro mesmo, e pesca nesse córrego aí", aponta o eletricista José Pedroso, de 63 anos, morador de umas das três casas que ainda mantêm portas e janelas originais da antiga vila operária.

Pedroso trabalhava na manutenção da fábrica, um complexo de moinhos de cimento, depósitos de minerais e unidades de ensacamento - ainda está tudo ali, mas em péssimas condições. "Havia filas de caminhões do Brasil inteiro, que passavam dois dias para buscar cimento aqui", conta o eletricista.

Alda Giovanini, de 73 anos, nasceu na vila operária - batizada Vila Triângulo, por causa da forma em que se dispõem as casas. "Chegava a noite e todo mundo vinha para a varanda, para conversar sobre amenidades e também sobre política", diz Alda, filha e irmã de funcionários. A família dela participou ativamente da greve de dez anos na fábrica, mais longa paralisação da história do País. "Uma pena que esteja assim, abandonado. O que aconteceu aqui foi importante para o Brasil em diversos momentos. Parece que ninguém mais lembra."

A Fábrica de Cimentos Portland - de onde também saiu o cimento que concretou o Vale do Anhangabaú - é tombada por órgãos de patrimônio do Estado e do Município desde 1992. Os donos querem construir um condomínio, mas ainda não há projeto - em casos assim, a Prefeitura costuma exigir preservação ao menos parcial das ruínas.

"Algo tem de ficar de pé, como testemunho. Vem gente querendo filmar, estudantes de arquitetura querendo aprender. Não pode simplesmente derrubar", disse Raimundo de Souza, de 67 anos, que toma conta do que restou da antiga fábrica.

Luxo e casarões. A estrutura do Santapaula Iate Clube, na beira da Represa do Guarapiranga, na zona sul, é de dar inveja a clubes de luxo. O conjunto de dois prédios unidos por túnel por baixo da Avenida Atlântica (antiga Robert Kennedy) tem piscina de 1,2 mil metros quadrados, três salões de festas, duas saunas completas (com antigas mangueiras de alta pressão para jatos d'água quente), salões de TV, churrasqueira e seis pistas de boliche. Também abriga a célebre garagem de barcos de Artigas, com vão livre e construída em concreto aparente. Há mais de 20 anos, o complexo serve como depósito e tem sinais de abandono.

Quem toma conta é Sebastião Profeta dos Santos, de 43 anos, que sempre trabalhou ali. "Entrei aos 17 anos, levantando pinos do boliche, e nunca tive outro emprego. Os maiores bailes de carnaval eram aqui, vinha gente da cidade toda", diz Sebastião, que vive com a mulher e três filhos em uma casa improvisada no antigo escritório da presidência do iate clube. "Quando faço vistoria, fico lembrando do pessoal na piscina, das festas chiques, dos barcos na represa. Dá saudade."

No ano passado, foi apresentado projeto que preserva o complexo e o transforma em hotel, mas o proprietário ainda busca recursos para a obra.

Na Rua Gabriel dos Santos, em Santa Cecília, região central da capital, há oito casarões tombados, a maioria construída na primeira metade do século 20 pelos endinheirados barões do café. Duas das mansões de época, vizinhas na altura do número 800 da via, estão abandonadas há pelo menos dez anos. "Dá trabalho porque a casa é cheia de detalhes", afirma o zelador de um dos prédios, Osmar de Brito, de 39 anos. "Uma das tarefas é limpar os vitrais e os ornamentos de ferro. A outra é tapar as goteiras. Dá medo de que um dia isso tudo caia." Os proprietários dizem não ter condições de restaurar o casarão cuidado por Brito, erguido nos anos 1920.

Outra região da cidade pródiga em construções abandonadas é a Mooca, bairro símbolo da primeira industrialização de São Paulo. Construída na década de 1910, a Fábrica de Tecidos Labor é exemplo da degradação que toma conta dos antigos galpões industriais de arquitetura inglesa.

"O casarão principal, com seus vitrais e o chão todo trabalhado em madeira, mostra a importância que os antigos proprietários das fábricas davam às sedes administrativas da empresa. Isso tem de ser restaurado", diz Douglas Nascimento, que se dedica a fotografar construções abandonadas em São Paulo. "A cidade está cheia dessas 'ruínas'. Mostra a falta de importância que a sociedade, seja proprietário ou poder público, dedica ao patrimônio histórico."

O improviso resume a história da cidade

OESP METRÓPOLE C8 23/10/2011
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-improviso-resume-a-historia-da-cidade-,789139,0.htm

"Ganhador do Jabuti de Arquitetura critica modelo 'provinciano' e diz que os planejamentos são feitos a toque de caixa"

Nataly Costa, de O Estado de S.Paulo


Reforma do Viaduto do Chá, para permitir a passagem de bondes elétricos, em 1902.


Foram 30 anos de pesquisa, 25 mil fotos e centenas de informações sobre a história de São Paulo. A ideia era compilar tudo em cinco volumes, depois "resumidos" a três, cada um com quase 200 páginas. Foi o que o arquiteto e professor da Universidade de São Paulo (USP) Nestor Goulart Reis precisou para contar e ilustrar com fotos os Dois Séculos de Projetos no Estado de São Paulo, livro que ganhou na segunda-feira o prêmio Jabuti de Arquitetura e Urbanismo.

O que, na sua opinião, resume a história da urbanização de São Paulo? Falta aos políticos um melhor entendimento?


O improviso resume essa história. Nada foi feito de forma organizada, os Planos Diretores não são respeitados. Fizeram algumas obras pontuais, mas o conjunto não tem coerência. A visão política ainda é rural, de coronéis. Os administradores não se sentem representados pelo espaço urbano. Eles tentam vender a imagem de que estamos "devagar, mas chegando lá". Não: estamos devagar, mas ladeira abaixo.

A urbanização piorou a qualidade de vida dos moradores?


Não necessariamente. Em 1955, por exemplo, já com 3 milhões de habitantes, era uma cidade que funcionava para ricos e pobres. A qualidade de vida já foi melhor - e de vida urbana mesmo. Hoje, até para a alta renda, a cidade tem pouquíssimos espaços confortáveis. Tirando Higienópolis, parte do Morumbi e muito pouco dos Jardins, existe pouca qualidade urbana. Um arquiteto americano veio aqui uma vez e me disse: "Vocês são loucos, o lugar mais bonito de São Paulo é em volta das represas! Vocês têm essa paisagem magnífica e ficam apinhados entre o Tietê e o Pinheiros!". E o entorno das represas é degradado, jogamos tudo isso fora.

O avanço da especulação imobiliária e as construções desordenadas prejudicaram a cidade?

A administração pública também participa das decisões do mercado imobiliário - se não participasse, não existiria tanta extravagância. Acontece que os empresários e as construtoras também pagam o preço de ter uma cidade desorganizada. O fato de a cidade ser como é hoje prejudica o mercado. Veja o eixo da (Avenida Engenheiro Luís Carlos) Berrini, com ruas estreitas, onde não cabe mais carro. Todo mundo quer investir no mesmo lugar. Por outro lado, não há alternativas atraentes em outras partes. Existe um jogo histórico entre o capital privado e o público: em alguns períodos, manda o capital privado; depois, ele sai, entra o Estado. E aí não há continuidade nem visão de conjunto.

Dá para dizer que a cidade é modelo de alguma coisa?

Deveria servir de modelo. A Paulista deveria ser um brinco. E olha como é caótica. Várias regiões deviam ser modelos, as áreas periféricas deveriam ser melhoradas. São Paulo é uma metrópole de alcance mundial, com estrutura provinciana. Temos tanto potencial e aproveitamos tão pouca coisa. Os habitantes de São Paul mereciam mais.

Falta planejamento?

Os planejamentos são feitos a toque de caixa. São os projetos para uma cidade que determinam custo, organização, qualidade das obras. Mas não existe planejamento para 30 anos, só para 2, 3 anos.

O que pode melhorar?

O transporte público é precário. Dizem que São Paulo é uma cidade difícil, que as pessoas levam 2h do trabalho para casa. Não é verdade. Tem gente que leva 3h, 4h em dias razoáveis. O trânsito é a segunda jornada de trabalho. O culto ao carro existe, mas será que uma pessoa humilde gastaria dinheiro para comprar e manter um carro se o transporte público funcionasse? Se você for para Londres ou Paris, o metrô é o meio de ir ao trabalho. As pessoas não pensam em outro.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O espírito das casas

Por José de Souza Martins - O Estado de S.Paulo 28/03/2011 C6 Evidências de mudanças sociais e de mentalidade ocorridas na sociedade brasileira, ao longo dos séculos, são encontradas no espírito das casas. Aqui em São Paulo, de um lado, na Casa do Bandeirante, no Butantã, de modelo do século 17. Na época, o Rio Pinheiros, ainda sinuoso, passava entre a casa e o que é hoje a avenida de acesso à Cidade Universitária. Com a retificação do rio, o que era fundo virou frente. A casa tem duas metades iguais, com os respectivos alpendres. Na reconstituição de 1954, de Paulo Florençano, uma delas é a parte social e masculina, voltada para "fora", para a "frente" e para o "caminho", que era o rio. A outra, é a parte simbolicamente reclusa e feminina, voltada para "dentro" e para os fundos. Era o lugar da cozinha e do trabalho doméstico das mulheres. Era o lado dos quartos das mulheres solteiras da família. Constituía grave ofensa um estranho acessar a casa por esse lado. Ainda é assim nos ermos e lonjuras do Brasil. Na parte da frente, ficava a sala de eventual recepção dos de fora, mas convidados, os estranhos à família, mesmo hóspedes, a cuja presença as mulheres não compareciam. De um lado do alpendre da frente, a capela, aberta aos de fora e aos escravos; lateralmente aberta para o cômodo vizinho, de dentro, de onde as mulheres acompanhavam a reza. No lado oposto, o quarto liminar de hóspedes, sem comunicação com o interior da casa. A Casa do Bandeirante é um documento arquitetônico da sociedade centrada na família, voltada para dentro e oculta ao olhar perigoso dos de fora. Outra face. No outro extremo da Região Metropolitana, em Paranapiacaba, num alto, está a casa que foi do chefe dos engenheiros da São Paulo Railway, de onde se tem vista da vila e do pátio de manobras. A vila era lugar de apoio para a descida e subida da serra pelos trens da ferrovia. As casas operárias foram concebidas segundo os valores da indústria e do trabalho livre e assalariado, os trabalhadores sujeitos a controle e vigilância, não mais os da chibata, mas os do olhar. Eram casas voltadas para fora. As pessoas tinham de ser vistas para serem controladas. Segundo o arquiteto Marco Antonio Perrone Santos, a construção da vila seguiu os princípios do Panopticon, o modelo das prisões europeias a partir do século 18. A vigilância era possível pela intensa visualidade do morador. No medo de ser visto em transgressão, cada um internalizava um feitor imaginário e vigiava a si mesmo. Ser visto implicava mais em fingir do que em obedecer. Uma sociedade moderna, teatral, do fingimento público e da autenticidade privada. É nessa polarização dos tipos de habitação que se pode compreender o advento da modernidade no Brasil e a radical transformação das mentalidades, no perecimento da família patriarcal e no nascimento social do indivíduo.

O enjeitado da Rua da Freira

Por José de Souza Martins - O Estado de S.Paulo 11/04/2011 C6 A Rua Senador Feijó assim se chama, desde 1865, em memória do padre Diogo Antônio Feijó, nascido em 1784, ali abandonado em casa do padre Fernando Lopes de Camargo, que com sua irmã o batizou na Igreja da Sé. Os padrinhos moravam no fim da rua, então Rua da Freira, na esquina da Rua da Casa Santa, atual Cristóvão Colombo, caminho da senzala do Convento de São Francisco. Naquele canto histórico do centro, onde estão hoje a loja Suelles e o Banco Real, Feijó foi do nascimento à morte, em 1843. Diz o historiador J. J. Ribeiro: "finou-se obscuro, pobre e desconhecido em sua modesta casa da Rua da Freira..." A geografia política de Feijó, no entanto, deu uma grande volta. Ordenado sacerdote, foi vereador em Itu, deputado às Cortes de Lisboa, em 1822, deputado geral, senador do Império, ministro da Justiça. De 1832 a 1835, morou no Sítio do Capão, no bairro da Água Rasa, onde é hoje a Unicsul. Foi regente do Império na menoridade de d. Pedro II. Eleito bispo de Mariana (MG), engavetou a nomeação e recusou a mitra. Cumpriu um curioso destino até depois de morto. Era filho natural de uma irmã do Padre Camargo. Em 1856, um contraparente escreveu que era ele "fruto de um grande crime". Provavelmente, Feijó nascera de um incesto. Por aí, teria incomodado pouco. Mas Feijó se tornara um dos grandes do Império, o guardião do Trono. Não podia, pois, ser também o mestiço que diziam. Seria exumado três vezes. Em duas ocasiões, para desmentir a mestiçagem, afinal comprovada. A mãe, no entanto, era de "nobilíssima raça", ressalvou um comentador. Um médico sobre ele escreveu, em 1882: "entendo não ser pecha ter entre os avós um pouco de sangue índio, que entendo muito melhor que o africano". Problema, mesmo, era o italiano, cuja imigração já começara, disse ele. Feijó foi liberal exaltado e defendeu o fim do celibato sacerdotal. A ilegitimidade da sua origem e suas ideias foram fatores de seu estigma. Em Itu, onde iniciou a vida política, o mandão local, Goes e Aranha, considerava-o "homem perigoso e cheio de ideias criminosas de liberdade". O arcebispo da Bahia, na polêmica sobre o celibato, definiu-o como "homem de poucos conhecimentos". Preso pelo Barão de Caxias, em Sorocaba, na Revolução Liberal de 1842, foi banido para o Espírito Santo. Caxias o desdenhou: "pelos disparates que diz, estou capacitado de que sofre desarranjo mental". Subversivo, ignorante e louco foi o perfil que do grande e ousado liberal traçaram os poderosos do Império. Mas, em 1918, o grande paulista que foi o arcebispo Dom Duarte Leopoldo e Silva deu-lhe túmulo de honra ao lado do Cacique Tibiriçá, circundados ambos pelos bispos sepultados na cripta da Catedral de Nossa Senhora da Assunção da Cidade de São Paulo do Campo de Piratininga, cuja obra se iniciava.

Só falta o cheiro de café neste tour pelo centro de SP

Por Edison Veiga - O Estado de S.Paulo 11/04/2011 C6 Entre um golezinho e outro, muita história para ser contada. O café é protagonista de um passado não tão remoto assim e ajuda a entender por que São Paulo se tornou símbolo de pujança econômica. E é um pouco disso que conta o Roteiro do Café, passeio especial desenvolvido pelo Projeto Turismetrô, em parceria com uma marca de café. Oferecido desde 12 de fevereiro, o tour tinha previsão para se encerrar neste mês. O sucesso, porém, foi tão grande - cerca de mil pessoas já participaram da caminhada - que o roteiro teve sua programação prorrogada até 19 de junho. "Desenvolvemos o roteiro na área central, trabalhando com todas as reminiscências e influências que o café apresenta na cidade", explica o historiador Cadu de Castro, responsável pela escolha do itinerário. Saída. O ponto de partida é a Estação Sé do Metrô. Na caminhada até a Estação São Bento, o guia explica como a economia baseada na cultural cafeeira proporcionou o desenvolvimento urbano na virada do século 19 para o 20. "Ali, podemos observar a localização de algumas casas de café que marcaram a história de São Paulo", lembra o historiador. "Caso, por exemplo, de Maria Punga, uma quituteira negra que oferecia café à clientela na própria varanda de sua casa. Seus clientes, em geral, eram os estudantes do Largo São Francisco." Sua casa é considerada a primeira cafeteria da cidade. No caminho, vale dar uma atenção especial para os mais antigos arranha-céus da capital paulista, como o Edifício Guinle, projetado por Hyppolito Gustavo Pujol Júnior. Com 36 metros de altura e sete andares, ficou pronto em 1913. "É uma amostra de como a cidade se desenvolveu, sobretudo com o dinheiro do café", pontua Castro. Tanto no Guinle quanto na sede do Centro Cultural Banco do Brasil, ramos de café estão presentes como adornos decorativos na própria construção do prédio. O centro cultural, aliás, foi a sede da primeira agência paulistana do Banco do Brasil. O Largo do Café, é claro, também está no roteiro. "A partir do fim do século 19, o local abrigava uma espécie de bolsa informal do café, com pregões e muita negociação", explica o historiador. Produção cafeeira. Então é hora de tomar o metrô, na Estação São Bento, e ir até a Luz. Ali, a própria estação é a estrela: afinal, sua construção é consequência direta da produção cafeeira. "Havia um problema de escoamento da produção, boa parte sendo transportada por meio de carros de bois ou de burros ", conta Castro. "A partir de 1867, com a inauguração dessa linha de ferro, não só o produto era levado até Santos de forma mais rápida como os imigrantes que vinham para trabalhar nas fazendas chegavam a São Paulo de trem. Não à toa, se tornou a estação ferroviária mais lucrativa do Brasil." Nas redondezas da estação, outra parada do tour é a Vila dos Ingleses. O local, hoje tombado como patrimônio, foi construído em 1915 para abrigar funcionários da ferrovia. Do Jardim da Luz, os participantes são convidados a observar o prédio da Pinacoteca do Estado, aberto em 1905 como Liceu de Artes e Ofícios. "O desenvolvimento de São Paulo era grande, mas faltava mão de obra nacional para a construção civil. Por isso, o liceu foi criado", comenta o historiador. Findo o passeio, a vontade de todos é a mesma: tomar um cafezinho. Campanha O Turismetrô começou em janeiro de 2006. Já foram atendidas mais de 37 mil pessoas. Existem 5 roteiros: Sé, Luz, Teatro Municipal/Largo São Francisco, Paulista e Memorial da América Latina. SERVIÇO DATAS: 9 E 10/4; 16 E 17/4; 30/4 E 1/5. SITE: WWW.CAFEMOKA.COM.BR. PREÇO: UM BILHETE DO METRÔ (R$ 2,90)

Todo modernoso - De salão de hotel a espaço cultural

OESP 04/04/2011 Cidades C6 Por Edison Veiga Ali na Praça Ramos de Azevedo, pertinho do Teatro Municipal, funcionava o Esplanada, inaugurado em 1923 como o mais elegante hotel de São Paulo. Desde os anos 1960, o prédio abriga a sede da empresa Votorantim. Há quatro anos, os arquitetos do escritório Metro foram lá chamados para projetar uma área de exposições. "Vimos um salão no térreo, provavelmente uma área de serviço do antigo hotel, que era usada como setor de arquivo morto pela Votorantim", conta o arquiteto Martin Corullon, um dos responsáveis pela obra. "Era uma área incrível (de cerca de 600 metros quadrados) e fizemos uma intervenção forte." Em 2008, era aberto o Espaço Votorantim, que consumiu investimentos de R$ 1,5 milhão e conta, por meio de documentos textuais, fotos, vídeos e livros, um pouco da história industrial do Brasil. Com agendamento prévio, é possível visitar o endereço gratuitamente. Os telefones são(11) 2159-3297 ou (11) 3224-7070 e o e-mail é contato@memoriavotorantim.com.br. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 10 horas às 16h30.

Qual foi a primeira rua asfaltada de São Paulo?

OESP 04/04/2011 Cidades C6 Por Edison Veiga A Avenida Paulista. Com material importado da Alemanha, a via recebeu asfalto em 1909 - quando ainda não tinha a vocação empresarial de hoje, mas abrigava dezenas de casarões dos barões do café. E quando ela foi inaugurada? Há quase 120 anos, em dezembro de 1891, idealizada pelo engenheiro Joaquim Eugênio de Lima (1845-1902). Na época, cogitou-se homenageá-lo, batizando a via com seu nome. Mas ele não quis a honraria, dizendo que teria de ser "Avenida Paulista em homenagem aos paulistas". Outros nomes aventados foram Avenida das Acácias e Prado de São Paulo.