OESP METRÓPOLE 04/11/11
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,casarao-historico-e-demolido-em-uma-noite-na-paulista-,794375,0.htm
Por Rodrigo Brancatelli
"Agora, só restam cinco prédios da era dos barões do café na via; moradores e
entidades de preservação do patrimônio reclamam"
Na virada de segunda para terça-feira, um casarão dos anos 1920, branco e de
dois andares no número 91 da Avenida Paulista, foi demolido sem chamar a
atenção. A rapidez da demolição foi consequência da pressão de moradores e
entidades de preservação do patrimônio, que tentavam evitar a destruição. Não
deu tempo. Agora, há apenas cinco mansões históricas em pé na via.
No último sábado, houve até um protesto contra a especulação imobiliária na
frente do endereço, uma tentativa de forçar uma resposta imediata da Prefeitura.
O local deverá agora servir de entrada para mais uma torre comercial - de 10
andares e 40 salas comerciais. "Sua empresa no principal centro financeiro do
Brasil", diz o anúncio da empresa, que já tem estande de vendas na região.
"Fizeram tudo isso na calada da noite para ninguém ver, é um absurdo que nos
deixa estarrecidos", diz Jorge Eduardo Rubies, presidente da ONG Preserva São
Paulo. Em agosto, a entidade entrou com pedido de abertura de processo de
tombamento do casarão, conhecido como residência Dina Brandi Bianchi, no
Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental
(Conpresp). Até agora, o pedido não havia sido votado - ou seja, não havia
restrições para a construtora demolir o imóvel. Caso o Conpresp tivesse aberto o
processo, o local ficaria congelado até uma decisão em relação à importância do
casarão.
Mãos atadas. "Isso mostra a inércia do Conpresp. Não se mexeram", diz Rubies.
Nas últimas três décadas, a Avenida Paulista perdeu pelo menos 30 casarões,
símbolos da alta burguesia cafeeira, quando a via ainda era bucólica, cruzada
por bondes camarões da Light.
"As construtoras também não se importam com o patrimônio. Tem uma área livre
na esquina com a Alameda Joaquim Eugênio de Lima: demoliram um casarão há 30
anos e até hoje não tem nada, tem um estacionamento. Por que não fazem um prédio
lá, em vez de destruir mais um imóvel? Nós, que tentamos preservar o patrimônio,
ficamos sempre de mãos atadas."
O Conpresp afirmou que foi procurado pela construtora, mas que não há
impedimento para qualquer obra, pois o local "não é tombado nem está em área
envoltória de bem tombado". Por meio de nota, a Even, responsável pela
construção, afirmou que "tinha todas as autorizações necessárias".
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