OESP Cidades C4 de 25/07/2010
Diego Zanchetta - O Estado de S.Paulo
No início, o Legislativo paulistano tinha apenas cinco vereadores que percorriam quilômetros a cavalo para encontros à luz de velas; 'degredo' de criminosos para o litoral só foi abolido em 1795
Antes de completar três décadas e com menos de cem habitantes, o povoado que deu origem a São Paulo já tinha uma Câmara Municipal. Em 1560, as sessões, aos sábados à noite, eram realizadas à luz de velas, em casebres cobertos por palha e com chão de madeira. Os cinco vereadores percorriam quilômetros a cavalo para chegar aos encontros.
Durante três séculos, até maio de 1828, a tarefa de fazer leis, mandar prender, julgar e criar taxas coube a um colegiado formado por um juiz, três vereadores e um procurador do conselho, todos eleitos no dia 1.º de janeiro de cada ano. Também eram nomeados um tesoureiro e um escrivão. Só podiam disputar as eleições os "homens bons", classe formada por fazendeiros e comerciantes portugueses, moradores das partes mais altas da Vila de Piratininga.
Oito endereços. Ao longo dos seus 450 anos, o Legislativo paulistano teve os poderes reduzidos, ocupou oito endereços, teve mais de 1.800 representantes, propôs 112 mil leis e caracterizou-se por ser palco dos debates sobre os problemas e anseios levados pelos cidadãos às autoridades. Da substituição do sapé pelas telhas de taipa à revisão do atual Plano Diretor, a "Casa de Leis" esteve no epicentro dos principais escândalos e polêmicas da metrópole.
Cada capítulo dessa história, com a minuciosa transcrição das falas dos vereadores em mais de 27 mil sessões, está disponível para consulta na Biblioteca do Palácio Anchieta, no número 100 do Viaduto Jacareí. Pesquisar o acervo é oportunidade rara de entender como foi a transformação da pequena vila em cidade rica com influência europeia. Na sequência, surge a capital moderna e de trânsito caótico. "Pelas atas é possível conhecer até brigas de famílias mediadas pelos vereadores", diz Benedito Lima de Toledo, historiador da USP.
Regras e "degredo". As primeiras regras do Município surgiram no início do período colonial, na casa do vereador português João Ramalho. No dia 24 de junho de 1562, após um acirrado debate de quase oito horas, Ramalho conseguiu apoio do juiz ordinário Antonio Brás Cubas, o equivalente hoje ao presidente da Câmara, para determinar a construção de um muro de taipa de 5 metros de altura ao redor da vila, que acabara de sofrer um novo ataque dos "selvagens índios carijós".
Para financiar a primeira grande obra da cidade, duas leis polêmicas foram estabelecidas: o dízimo doado aos jesuítas seria destinado agora ao novo muro e quem não ajudasse na construção seria multado em 50 cruzados e enviado para "degredo", ou deportado, por um ano em Bertioga.
Relatado em 32 sessões entre 1561 e 1752, o "degredo" para um forte do litoral sul, onde havia um núcleo português que assegurava a defesa da costa de São Vicente, ficou conhecido como a mais severa punição da vila. A norma foi aplicada a centenas de índios rebeldes e jesuítas que contestavam o poder dos vereadores. Também era uma forma que os portugueses encontraram de mandar desafetos e a escória da vila (ladrões de gado e aventureiros espanhóis em busca de minas de ouro) para uma distância só acessível após 30 dias de trilhas pela Serra do Mar.
O "degredo" foi escolhido, por exemplo, para punir o maior escândalo da vila na fase do País como colônia. Vinte "mancebos" portugueses acusados de pegar à força índias que lavavam suas roupas no Rio Anhangabaú ficaram isolados no litoral por três anos, para desespero de suas mães. O mesmo destino teve uma dezena de moradores que se recusou a trocar a cobertura de palha por telhas de taipa, o primeiro projeto de urbanização proposto pela Câmara. A pena só foi abolida em 1795.
sábado, 29 de janeiro de 2011
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Surpresas do casarão que parou no tempo
Rodrigo Brancatelli - O Estado de S.Paulo
OESP Cidade C4 24/10/2010
Restauração de palacete construído na década de 1930 em Higienópolis, e que vai virar centro cultural, revela memória da cidade
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A história se desnuda a cada pincelada, a cada martelada, a cada raspagem. Pelos corredores do casarão no número 758 da Avenida Higienópolis, na região central de São Paulo, a memória da cidade ainda com feições do século passado está sendo revelada diariamente por operários, pintores e restauradores.
(foto de Eduardo Nicolau / AE)
Há sempre uma surpresa a ser encontrada, um detalhe, um vitral, uma pintura escondida, um cofre disfarçado, uma passagem secreta. Ali, durante os trabalhos de reforma do antigo palacete do barão do café Carlos Leôncio de Magalhães, percebe-se também que a preservação do patrimônio histórico da capital está intimamente ligada à manutenção da identidade paulistana. Um testamento de que progresso e desenvolvimento não significam apenas demolições.
O casarão de cinco pavimentos, 2.463 metros quadrados e pé-direito nas alturas está sendo restaurado pelo grupo que administra o Shopping Pátio Higienópolis, que comprou o imóvel em um leilão do governo estadual. A intenção é transformar o local em um centro cultural, possivelmente com café e uma pequena livraria - o trabalho dos restauradores, no entanto, ainda vai longe, com pelo menos mais dois anos de pinceladas, marteladas e raspagens. "Não dá para precisar quanto tempo ainda vai levar, e para falar a verdade não preciso correr. Vir aqui trabalhar é um imenso prazer, todo dia tem uma surpresa", diz o conservador e restaurador Toninho Sarasá, responsável pela reforma do casarão.
Curiosidades. Parece até que o tempo parou ali no endereço - passear por aqueles corredores e cômodos, mais do que uma simples visita a uma obra, é quase como entrar em uma fotografia antiga. O imóvel foi erguido de 1930 a 1937 pela empresa Siciliano & Silva, com o estilo eclético que fazia sucesso na Europa. O nível de detalhes é impressionante - o palacete ostenta piso de marchetaria, lustres de ferro fundido, lambris de jacarandá entalhados pelo artista italiano Dinucci, vitrais belgas, mosaicos com vidro Murano e teto em madeira de lei ornamentado em gesso pintado em dourado.
Surpresas e curiosidades realmente não faltam. Cada quarto tem uma pintura totalmente diferente, sempre imitando tecido, com padronagens típicas de castelos franceses. No primeiro andar há uma pequena capela inspirada no Mosteiro dos Jerônimos, de Lisboa, e os entalhamentos na madeira da escada principal exibem inúmeros símbolos religiosos. No subsolo, há um anfiteatro com capacidade para quase 50 pessoas sentadas; já na sala, um balcão todo em jacarandá mostra o apreço que os donos tinham por saraus e apresentações musicais.
A história conta que Leôncio de Magalhães, no entanto, não conseguiu desfrutar da mansão. Morreu um ano antes da conclusão. A mulher, Ernestina, e os cinco filhos, solteiros, mudaram-se para a nova casa, onde moraram por 11 anos. A partir de 1974, o local virou sede da Secretaria da Segurança e da Delegacia Anti-Sequestro. "Tudo foi muito bem preservado, pouca coisa foi modificada", diz Toninho Sarasá. "Já restauramos a fachada, e agora precisamos trabalhar no interior. Acho importante mostrar que demolir não é a única resposta, a cidade vai sentir falta de seu patrimônio lá na frente. Por meio dessas casas antigas, o paulistano pode conhecer sua história."
Um imóvel é demolido a cada 10 horas em São Paulo
Rodrigo Brancatelli e Rodrigo Burgarelli - O Estado de S.Paulo
OESP Cidade C1 24/10/2010
A cada dia, 2,5 imóveis são demolidos, em média, na cidade de São Paulo. É a ponta mais visível - e, para muitos urbanistas, perversa - do boom do mercado imobiliário, que lança quase 600 prédios por ano na capital paulista. Com a escassez de espaços urbanos, principalmente terrenos vagos em áreas nobres, a solução é destruir - segundo levantamento exclusivo feito pelo jornal O Estado de S. Paulo, a cidade perdeu em três anos exatas 2.692 casas.
A pesquisa foi feita com base em todos os deferimentos de alvarás de execução de demolição publicados no Diário Oficial da Cidade de São Paulo de 1.º de janeiro de 2008 até quarta-feira passada. Neste ano, já foram demolidos 664 imóveis. No ano passado, foram 933, e em 2008, 1.095. Traduzindo os números, isso significa que uma casa acabou sendo derrubada a cada dez horas para dar lugar a prédios, espigões ou condomínios residenciais e comerciais.
Exemplos desse cenário não faltam, principalmente em bairros que até a década passada eram predominantemente ocupados por casas - como Vila Mariana, Ipiranga e Vila Olímpia, na zona sul; Pinheiros e Pompeia, na zona oeste; Tucuruvi, na zona norte; e Mooca e Vila Prudente, na zona leste. Para as empresas especializadas em demolições, trata-se de um mercado exemplar, que cresce quase 80% ao ano. Mas para urbanistas, a transformação faz os endereços perderem um pedaço importante da própria memória.
"Há um empobrecimento histórico de São Paulo, a unidade da vizinhança fica extremamente prejudicada", diz o arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).
Alternativas. Da taipa de pilão ao concreto, São Paulo foi construída e destruída inúmeras vezes - uma dinâmica que também ajudou a capital a ter um perfil eclético, diversificado e multifacetado. A dúvida fica em saber: haverá o momento em que será impossível prover infraestrutura? "Creio que é inevitável, principalmente numa cidade com tantos contrastes, tão densa e com números gigantescos", diz o diretor de estudos da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio, Luiz Paulo Pompéia.
"Em tese, deveria haver um momento em que a cidade estagnasse. Mas a grande metrópole, mesmo crescendo pouco, cerca de 0,6% ao ano, não pode deixar de buscar alternativas. Deveria-se pensar a cidade, independentemente das questões político-partidárias, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do cidadão."
OESP Cidade C1 24/10/2010
A cada dia, 2,5 imóveis são demolidos, em média, na cidade de São Paulo. É a ponta mais visível - e, para muitos urbanistas, perversa - do boom do mercado imobiliário, que lança quase 600 prédios por ano na capital paulista. Com a escassez de espaços urbanos, principalmente terrenos vagos em áreas nobres, a solução é destruir - segundo levantamento exclusivo feito pelo jornal O Estado de S. Paulo, a cidade perdeu em três anos exatas 2.692 casas.
A pesquisa foi feita com base em todos os deferimentos de alvarás de execução de demolição publicados no Diário Oficial da Cidade de São Paulo de 1.º de janeiro de 2008 até quarta-feira passada. Neste ano, já foram demolidos 664 imóveis. No ano passado, foram 933, e em 2008, 1.095. Traduzindo os números, isso significa que uma casa acabou sendo derrubada a cada dez horas para dar lugar a prédios, espigões ou condomínios residenciais e comerciais.
Exemplos desse cenário não faltam, principalmente em bairros que até a década passada eram predominantemente ocupados por casas - como Vila Mariana, Ipiranga e Vila Olímpia, na zona sul; Pinheiros e Pompeia, na zona oeste; Tucuruvi, na zona norte; e Mooca e Vila Prudente, na zona leste. Para as empresas especializadas em demolições, trata-se de um mercado exemplar, que cresce quase 80% ao ano. Mas para urbanistas, a transformação faz os endereços perderem um pedaço importante da própria memória.
"Há um empobrecimento histórico de São Paulo, a unidade da vizinhança fica extremamente prejudicada", diz o arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).
Alternativas. Da taipa de pilão ao concreto, São Paulo foi construída e destruída inúmeras vezes - uma dinâmica que também ajudou a capital a ter um perfil eclético, diversificado e multifacetado. A dúvida fica em saber: haverá o momento em que será impossível prover infraestrutura? "Creio que é inevitável, principalmente numa cidade com tantos contrastes, tão densa e com números gigantescos", diz o diretor de estudos da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio, Luiz Paulo Pompéia.
"Em tese, deveria haver um momento em que a cidade estagnasse. Mas a grande metrópole, mesmo crescendo pouco, cerca de 0,6% ao ano, não pode deixar de buscar alternativas. Deveria-se pensar a cidade, independentemente das questões político-partidárias, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do cidadão."
Livro mostra o espírito paulista
Pablo Pereira - O Estado de S.Paulo
OESP Cidade C12 de 24/10/2010
Saiu da oficina um livro que joga luz no perfil dos paulistas. Obra nasceu em reunião na casa do professor Nilo Odalia (já morto) na qual estavam pesquisadores como Emilia Viotti da Costa. Leia abaixo a entrevista com o historiador João Ricardo de Castro Caldeira, um dos formuladores de História do Estado de São Paulo: A Formação da Unidade Paulista (Unesp, Imprensa Oficial e Arquivo Público do Estado, 2010):
O que diferencia São Paulo dos demais Estados brasileiros?
Entre as singularidades de São Paulo, pode-se destacar: razoável autonomia frente ao governo central; ponderável dispersão espacial da sua riqueza, presente tanto na capital como em cidades do interior; existência de elites que em diversos momentos da História tomaram importantes medidas de interesse público, e não apenas privado; apreciável projeção internacional, que a torna o principal elo do Brasil com o mundo.
Qual o impacto da explosão populacional da capital nesse processo?
Creio que a questão, nesse caso, está invertida: São Paulo é um forte polo de atração populacional desde que se tornou o mais importante centro do capitalismo no Brasil - uma de suas singularidades -, processo iniciado sobretudo a partir de 1850, e que não teve interrupção até o presente, quando o Estado continua recebendo importantes levas migratórias, que se dirigem tanto para a capital como para o interior.
A "locomotiva" paulista continua no ritmo da década de 1950?
A "locomotiva" está num ritmo mais acelerado. Em termos econômicos, São Paulo ainda concentra a parte mais expressiva da produção da riqueza nacional, mas o Estado se tornou também, ao longo do tempo, um centro cultural de relevância internacional, no qual as mais diversas "tribos" se encontram representadas, em festivais, bienais, museus, espaços culturais diversos, etc. São Paulo impulsiona tanto a produção econômica quanto a produção intelectual e cultural do País.
São Paulo bebeu em fonte europeia por muito tempo. Quando isso deixa de ocorrer?
Em São Paulo, desde o período colonial, começou a conformar-se uma sociedade de caráter específico, inicialmente por causa da combinação de elementos das culturas europeia e indígena. A maior presença do escravo africano a partir do século 19 e a imigração estrangeira, vinda não apenas da Europa, para a região, a partir da segunda metade daquele século, acentuaram esse processo de mistura cultural, que prosseguiu ao longo do século 20 e continua atualmente, com as migrações internas e a imigração latino-americana, contribuindo para configurar aquela que é uma das principais singularidades paulistas frente às demais unidades da federação brasileira: o seu caráter cosmopolita.
Quem melhor traduz o espírito paulista no século 20?
Não gostaria de cometer injustiças, mas se puder citar nomes, gostaria de destacar Antonio Ermírio de Moraes, Alfredo de Mesquita, Assis Chateaubriand, Carlos Alberto de Carvalho Pinto, Fernando Gasparian, José Mindlin e Mário de Andrade. Não esquecendo que houve e ainda há em São Paulo intelectuais, artistas e uma massa anônima imbuídos desse mesmo espírito.
OESP Cidade C12 de 24/10/2010
Saiu da oficina um livro que joga luz no perfil dos paulistas. Obra nasceu em reunião na casa do professor Nilo Odalia (já morto) na qual estavam pesquisadores como Emilia Viotti da Costa. Leia abaixo a entrevista com o historiador João Ricardo de Castro Caldeira, um dos formuladores de História do Estado de São Paulo: A Formação da Unidade Paulista (Unesp, Imprensa Oficial e Arquivo Público do Estado, 2010):
O que diferencia São Paulo dos demais Estados brasileiros?
Entre as singularidades de São Paulo, pode-se destacar: razoável autonomia frente ao governo central; ponderável dispersão espacial da sua riqueza, presente tanto na capital como em cidades do interior; existência de elites que em diversos momentos da História tomaram importantes medidas de interesse público, e não apenas privado; apreciável projeção internacional, que a torna o principal elo do Brasil com o mundo.
Qual o impacto da explosão populacional da capital nesse processo?
Creio que a questão, nesse caso, está invertida: São Paulo é um forte polo de atração populacional desde que se tornou o mais importante centro do capitalismo no Brasil - uma de suas singularidades -, processo iniciado sobretudo a partir de 1850, e que não teve interrupção até o presente, quando o Estado continua recebendo importantes levas migratórias, que se dirigem tanto para a capital como para o interior.
A "locomotiva" paulista continua no ritmo da década de 1950?
A "locomotiva" está num ritmo mais acelerado. Em termos econômicos, São Paulo ainda concentra a parte mais expressiva da produção da riqueza nacional, mas o Estado se tornou também, ao longo do tempo, um centro cultural de relevância internacional, no qual as mais diversas "tribos" se encontram representadas, em festivais, bienais, museus, espaços culturais diversos, etc. São Paulo impulsiona tanto a produção econômica quanto a produção intelectual e cultural do País.
São Paulo bebeu em fonte europeia por muito tempo. Quando isso deixa de ocorrer?
Em São Paulo, desde o período colonial, começou a conformar-se uma sociedade de caráter específico, inicialmente por causa da combinação de elementos das culturas europeia e indígena. A maior presença do escravo africano a partir do século 19 e a imigração estrangeira, vinda não apenas da Europa, para a região, a partir da segunda metade daquele século, acentuaram esse processo de mistura cultural, que prosseguiu ao longo do século 20 e continua atualmente, com as migrações internas e a imigração latino-americana, contribuindo para configurar aquela que é uma das principais singularidades paulistas frente às demais unidades da federação brasileira: o seu caráter cosmopolita.
Quem melhor traduz o espírito paulista no século 20?
Não gostaria de cometer injustiças, mas se puder citar nomes, gostaria de destacar Antonio Ermírio de Moraes, Alfredo de Mesquita, Assis Chateaubriand, Carlos Alberto de Carvalho Pinto, Fernando Gasparian, José Mindlin e Mário de Andrade. Não esquecendo que houve e ainda há em São Paulo intelectuais, artistas e uma massa anônima imbuídos desse mesmo espírito.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Na SP Colonial, o maior castigo era ir para Bertioga
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100725/not_imp585762,0.php
OESP Cidades 25/07/2010 p. C4
Por Diogo Zanchetta
No início, o Legislativo paulistano tinha apenas cinco vereadores que percorriam quilômetros a cavalo para encontros à luz de velas; 'degredo' de criminosos para o litoral só foi abolido em 1795
Antes de completar três décadas e com menos de cem habitantes, o povoado que deu origem a São Paulo já tinha uma Câmara Municipal. Em 1560, as sessões, aos sábados à noite, eram realizadas à luz de velas, em casebres cobertos por palha e com chão de madeira. Os cinco vereadores percorriam quilômetros a cavalo para chegar aos encontros.
Durante três séculos, até maio de 1828, a tarefa de fazer leis, mandar prender, julgar e criar taxas coube a um colegiado formado por um juiz, três vereadores e um procurador do conselho, todos eleitos no dia 1.º de janeiro de cada ano. Também eram nomeados um tesoureiro e um escrivão. Só podiam disputar as eleições os "homens bons", classe formada por fazendeiros e comerciantes portugueses, moradores das partes mais altas da Vila de Piratininga.
Oito endereços. Ao longo dos seus 450 anos, o Legislativo paulistano teve os poderes reduzidos, ocupou oito endereços, teve mais de 1.800 representantes, propôs 112 mil leis e caracterizou-se por ser palco dos debates sobre os problemas e anseios levados pelos cidadãos às autoridades. Da substituição do sapé pelas telhas de taipa à revisão do atual Plano Diretor, a "Casa de Leis" esteve no epicentro dos principais escândalos e polêmicas da metrópole.
Cada capítulo dessa história, com a minuciosa transcrição das falas dos vereadores em mais de 27 mil sessões, está disponível para consulta na Biblioteca do Palácio Anchieta, no número 100 do Viaduto Jacareí. Pesquisar o acervo é oportunidade rara de entender como foi a transformação da pequena vila em cidade rica com influência europeia. Na sequência, surge a capital moderna e de trânsito caótico. "Pelas atas é possível conhecer até brigas de famílias mediadas pelos vereadores", diz Benedito Lima de Toledo, historiador da USP.
Regras e "degredo". As primeiras regras do Município surgiram no início do período colonial, na casa do vereador português João Ramalho. No dia 24 de junho de 1562, após um acirrado debate de quase oito horas, Ramalho conseguiu apoio do juiz ordinário Antonio Brás Cubas, o equivalente hoje ao presidente da Câmara, para determinar a construção de um muro de taipa de 5 metros de altura ao redor da vila, que acabara de sofrer um novo ataque dos "selvagens índios carijós".
Para financiar a primeira grande obra da cidade, duas leis polêmicas foram estabelecidas: o dízimo doado aos jesuítas seria destinado agora ao novo muro e quem não ajudasse na construção seria multado em 50 cruzados e enviado para "degredo", ou deportado, por um ano em Bertioga.
Relatado em 32 sessões entre 1561 e 1752, o "degredo" para um forte do litoral sul, onde havia um núcleo português que assegurava a defesa da costa de São Vicente, ficou conhecido como a mais severa punição da vila. A norma foi aplicada a centenas de índios rebeldes e jesuítas que contestavam o poder dos vereadores. Também era uma forma que os portugueses encontraram de mandar desafetos e a escória da vila (ladrões de gado e aventureiros espanhóis em busca de minas de ouro) para uma distância só acessível após 30 dias de trilhas pela Serra do Mar.
O "degredo" foi escolhido, por exemplo, para punir o maior escândalo da vila na fase do País como colônia. Vinte "mancebos" portugueses acusados de pegar à força índias que lavavam suas roupas no Rio Anhangabaú ficaram isolados no litoral por três anos, para desespero de suas mães. O mesmo destino teve uma dezena de moradores que se recusou a trocar a cobertura de palha por telhas de taipa, o primeiro projeto de urbanização proposto pela Câmara. A pena só foi abolida em 1795.
OESP Cidades 25/07/2010 p. C4
Por Diogo Zanchetta
No início, o Legislativo paulistano tinha apenas cinco vereadores que percorriam quilômetros a cavalo para encontros à luz de velas; 'degredo' de criminosos para o litoral só foi abolido em 1795
Antes de completar três décadas e com menos de cem habitantes, o povoado que deu origem a São Paulo já tinha uma Câmara Municipal. Em 1560, as sessões, aos sábados à noite, eram realizadas à luz de velas, em casebres cobertos por palha e com chão de madeira. Os cinco vereadores percorriam quilômetros a cavalo para chegar aos encontros.
Durante três séculos, até maio de 1828, a tarefa de fazer leis, mandar prender, julgar e criar taxas coube a um colegiado formado por um juiz, três vereadores e um procurador do conselho, todos eleitos no dia 1.º de janeiro de cada ano. Também eram nomeados um tesoureiro e um escrivão. Só podiam disputar as eleições os "homens bons", classe formada por fazendeiros e comerciantes portugueses, moradores das partes mais altas da Vila de Piratininga.
Oito endereços. Ao longo dos seus 450 anos, o Legislativo paulistano teve os poderes reduzidos, ocupou oito endereços, teve mais de 1.800 representantes, propôs 112 mil leis e caracterizou-se por ser palco dos debates sobre os problemas e anseios levados pelos cidadãos às autoridades. Da substituição do sapé pelas telhas de taipa à revisão do atual Plano Diretor, a "Casa de Leis" esteve no epicentro dos principais escândalos e polêmicas da metrópole.
Cada capítulo dessa história, com a minuciosa transcrição das falas dos vereadores em mais de 27 mil sessões, está disponível para consulta na Biblioteca do Palácio Anchieta, no número 100 do Viaduto Jacareí. Pesquisar o acervo é oportunidade rara de entender como foi a transformação da pequena vila em cidade rica com influência europeia. Na sequência, surge a capital moderna e de trânsito caótico. "Pelas atas é possível conhecer até brigas de famílias mediadas pelos vereadores", diz Benedito Lima de Toledo, historiador da USP.
Regras e "degredo". As primeiras regras do Município surgiram no início do período colonial, na casa do vereador português João Ramalho. No dia 24 de junho de 1562, após um acirrado debate de quase oito horas, Ramalho conseguiu apoio do juiz ordinário Antonio Brás Cubas, o equivalente hoje ao presidente da Câmara, para determinar a construção de um muro de taipa de 5 metros de altura ao redor da vila, que acabara de sofrer um novo ataque dos "selvagens índios carijós".
Para financiar a primeira grande obra da cidade, duas leis polêmicas foram estabelecidas: o dízimo doado aos jesuítas seria destinado agora ao novo muro e quem não ajudasse na construção seria multado em 50 cruzados e enviado para "degredo", ou deportado, por um ano em Bertioga.
Relatado em 32 sessões entre 1561 e 1752, o "degredo" para um forte do litoral sul, onde havia um núcleo português que assegurava a defesa da costa de São Vicente, ficou conhecido como a mais severa punição da vila. A norma foi aplicada a centenas de índios rebeldes e jesuítas que contestavam o poder dos vereadores. Também era uma forma que os portugueses encontraram de mandar desafetos e a escória da vila (ladrões de gado e aventureiros espanhóis em busca de minas de ouro) para uma distância só acessível após 30 dias de trilhas pela Serra do Mar.
O "degredo" foi escolhido, por exemplo, para punir o maior escândalo da vila na fase do País como colônia. Vinte "mancebos" portugueses acusados de pegar à força índias que lavavam suas roupas no Rio Anhangabaú ficaram isolados no litoral por três anos, para desespero de suas mães. O mesmo destino teve uma dezena de moradores que se recusou a trocar a cobertura de palha por telhas de taipa, o primeiro projeto de urbanização proposto pela Câmara. A pena só foi abolida em 1795.
"Igreja da boa notícia" comemora 200 anos no centro
Foto de André Lessa / AE

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100820/not_imp597700,0.php
OESP Cidades 20/08/2010 p. C8
por Edison Veiga
Vizinho ao templo erguido em 1810 em taipa de pilão, Sesc Carmo promove amanhã visita guiada pela Nossa Senhora da Boa Morte
A Igreja Nossa Senhora da Boa Morte - conhecida no século 19 como "das boas notícias" - comemora 200 anos. Depois de quermesse, procissão, novena e missa, já ocorridas no início do mês, amanhã, às 11h, haverá um passeio monitorado para quem quiser conhecer o interior e a história do templo do centro de São Paulo. A atividade, promovida pelo Sesc Carmo - cuja sede fica a poucos metros do templo -, pega carona nas festividades do segundo centenário da igreja.
"Somos vizinhos (o Sesc e a igreja), então não podíamos ficar de fora dessa comemoração", explica a coordenadora de programação do Sesc, Débora Teixeira. "Serão apresentadas a história da igreja e a importância do barroco paulista." Para tanto, estão convidados o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Percival Tirapeli, autor de, entre outros livros, Igrejas Barrocas do Brasil; e Tobias de São Pedro e Ana Luiza Martins, representantes da unidade de Patrimônio Histórico da Secretaria de Estado da Cultura.
História. Construída em 1810 em taipa de pilão e adobe (tijolos de terra batida), a igreja que fica a uma quadra da Praça da Sé entrou no terceiro milênio bastante degradada - e teve de ser fechada em 2005. Entre outros problemas, seu teto ameaçava ruir e o madeiramento estava tomado por cupins.
No ano seguinte, começou a ser restaurada - uma obra cheia de minúcias, que duraria três anos, envolveria 60 profissionais e consumiria R$ 6,5 milhões. Reaberta em julho do ano passado, a igreja - tombada pelos órgãos estadual e municipal de proteção ao patrimônio - foi assumida pelos religiosos da Aliança da Misericórdia, associação com trabalhos sociais voltados à população carente.
"O importante é que, de dez anos para cá, as igrejas históricas estão sob um intenso olhar dos intelectuais e dos órgãos de proteção ao patrimônio", afirma o professor Tirapeli. "Não à toa, todas passaram ou estão passando por bons restauros."
Durante o trabalho de restauração, foram retiradas 10 toneladas de madeira podre. E descobertas algumas surpresas - entre as quais, uma pintura barroca da Virgem Maria, escondida sob camada de tinta cinza no forro de madeira sobre o altar. Treze imagens sacras também foram restauradas.
Simplicidade. Ao contrário do exuberante barroco mineiro, em São Paulo as construções dessa época não eram carregadas de luxo. Principalmente porque, longe das minas de ouro, por aqui não havia muito com o que se gastar. "A igreja em si já nasce pequena e não tem nenhuma importância, em termos de riqueza, de um barroco mais requintado", observa Tirapeli. "Mas a partir de 1913, quando quase todas as igrejas próximas dela foram derrubadas, ela passa a ser uma referência daquela época."
De acordo com o especialista, não há igrejas paulistanas desta época com "estilos puros". Todas mesclam diferentes escolas arquitetônicas. "Um pouco barroco e muito mais rococó, que na realidade já estava passando... A passagem do barroco para o rococó aconteceu aqui com 50 anos de atraso", comenta.
Antes da morte. Ao longo do século 19, acredita-se que a igreja tenha sido parada obrigatória de escravos condenados à forca - a execução costumava ocorrer próximo de onde hoje é a Praça da Liberdade, no centro.
De acordo com a tradição religiosa, era recomendável pedir a Nossa Senhora da Boa Morte, como o próprio nome sugere, uma "boa morte".
No século 19, o templo era conhecido como "a igreja das boas notícias". Isto porque, como se localizava à entrada daqueles que vinham do Ipiranga em direção à cidade, seus sinos repicavam para anunciar novidades - bem como a chegada de forasteiros, já que de sua posição geográfica privilegiada era possível avistar antes os que chegavam da Serra do Mar. Reza a lenda que foi por meio de seus sinos que, em 1822, o imperador d. Pedro I foi saudado pela cidade, logo após proclamar a Independência do Brasil.
NOME DA IGREJA
Nossa Senhora da Boa Morte é um dos títulos católicos dados à Nossa Senhora. Há inúmeras igrejas dedicadas a ela ao redor do mundo - no ano de 1661, em Lombo do Atouquia, freguesia de Calheta, Portugal, já existia uma capela de Nossa Senhora da Boa Morte. No Brasil, a veneração à santa foi trazida pelos portugueses e são famosas as igrejas com seu nome na Bahia, em Salvador e em Cachoeira.Por aqui - não se sabe se causa ou consequência do nome - acredita-se que, no século 19, o local era parada dos escravos condenados à forca. Eles passavam ali para pedir à santa uma "boa morte".
Serviço
IGREJA NOSSA SENHORA DA BOA MORTE: RUA DO CARMO, 202.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100820/not_imp597700,0.php
OESP Cidades 20/08/2010 p. C8
por Edison Veiga
Vizinho ao templo erguido em 1810 em taipa de pilão, Sesc Carmo promove amanhã visita guiada pela Nossa Senhora da Boa Morte
A Igreja Nossa Senhora da Boa Morte - conhecida no século 19 como "das boas notícias" - comemora 200 anos. Depois de quermesse, procissão, novena e missa, já ocorridas no início do mês, amanhã, às 11h, haverá um passeio monitorado para quem quiser conhecer o interior e a história do templo do centro de São Paulo. A atividade, promovida pelo Sesc Carmo - cuja sede fica a poucos metros do templo -, pega carona nas festividades do segundo centenário da igreja.
"Somos vizinhos (o Sesc e a igreja), então não podíamos ficar de fora dessa comemoração", explica a coordenadora de programação do Sesc, Débora Teixeira. "Serão apresentadas a história da igreja e a importância do barroco paulista." Para tanto, estão convidados o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Percival Tirapeli, autor de, entre outros livros, Igrejas Barrocas do Brasil; e Tobias de São Pedro e Ana Luiza Martins, representantes da unidade de Patrimônio Histórico da Secretaria de Estado da Cultura.
História. Construída em 1810 em taipa de pilão e adobe (tijolos de terra batida), a igreja que fica a uma quadra da Praça da Sé entrou no terceiro milênio bastante degradada - e teve de ser fechada em 2005. Entre outros problemas, seu teto ameaçava ruir e o madeiramento estava tomado por cupins.
No ano seguinte, começou a ser restaurada - uma obra cheia de minúcias, que duraria três anos, envolveria 60 profissionais e consumiria R$ 6,5 milhões. Reaberta em julho do ano passado, a igreja - tombada pelos órgãos estadual e municipal de proteção ao patrimônio - foi assumida pelos religiosos da Aliança da Misericórdia, associação com trabalhos sociais voltados à população carente.
"O importante é que, de dez anos para cá, as igrejas históricas estão sob um intenso olhar dos intelectuais e dos órgãos de proteção ao patrimônio", afirma o professor Tirapeli. "Não à toa, todas passaram ou estão passando por bons restauros."
Durante o trabalho de restauração, foram retiradas 10 toneladas de madeira podre. E descobertas algumas surpresas - entre as quais, uma pintura barroca da Virgem Maria, escondida sob camada de tinta cinza no forro de madeira sobre o altar. Treze imagens sacras também foram restauradas.
Simplicidade. Ao contrário do exuberante barroco mineiro, em São Paulo as construções dessa época não eram carregadas de luxo. Principalmente porque, longe das minas de ouro, por aqui não havia muito com o que se gastar. "A igreja em si já nasce pequena e não tem nenhuma importância, em termos de riqueza, de um barroco mais requintado", observa Tirapeli. "Mas a partir de 1913, quando quase todas as igrejas próximas dela foram derrubadas, ela passa a ser uma referência daquela época."
De acordo com o especialista, não há igrejas paulistanas desta época com "estilos puros". Todas mesclam diferentes escolas arquitetônicas. "Um pouco barroco e muito mais rococó, que na realidade já estava passando... A passagem do barroco para o rococó aconteceu aqui com 50 anos de atraso", comenta.
Antes da morte. Ao longo do século 19, acredita-se que a igreja tenha sido parada obrigatória de escravos condenados à forca - a execução costumava ocorrer próximo de onde hoje é a Praça da Liberdade, no centro.
De acordo com a tradição religiosa, era recomendável pedir a Nossa Senhora da Boa Morte, como o próprio nome sugere, uma "boa morte".
No século 19, o templo era conhecido como "a igreja das boas notícias". Isto porque, como se localizava à entrada daqueles que vinham do Ipiranga em direção à cidade, seus sinos repicavam para anunciar novidades - bem como a chegada de forasteiros, já que de sua posição geográfica privilegiada era possível avistar antes os que chegavam da Serra do Mar. Reza a lenda que foi por meio de seus sinos que, em 1822, o imperador d. Pedro I foi saudado pela cidade, logo após proclamar a Independência do Brasil.
NOME DA IGREJA
Nossa Senhora da Boa Morte é um dos títulos católicos dados à Nossa Senhora. Há inúmeras igrejas dedicadas a ela ao redor do mundo - no ano de 1661, em Lombo do Atouquia, freguesia de Calheta, Portugal, já existia uma capela de Nossa Senhora da Boa Morte. No Brasil, a veneração à santa foi trazida pelos portugueses e são famosas as igrejas com seu nome na Bahia, em Salvador e em Cachoeira.Por aqui - não se sabe se causa ou consequência do nome - acredita-se que, no século 19, o local era parada dos escravos condenados à forca. Eles passavam ali para pedir à santa uma "boa morte".
Serviço
IGREJA NOSSA SENHORA DA BOA MORTE: RUA DO CARMO, 202.
Museu de SP reunirá 40 mil peças na Casa das Retortas
OESP Caderno Cidades 19/07/2010 p. C1
Por Diogo Zanchetta
Na esquina da Rua do Gasômetro com a Avenida do Estado, o governo do Estado iniciou a recuperação da Casa das Retortas, a sede da primeira empresa fornecedora de energia a gás na cidade, inaugurada em 1872. O local está em obras para receber o Museu da História de São Paulo. A proposta do novo museu é reunir, em 4 mil metros quadrados de exposições, uma história hoje contada aos pedaços, distribuída entre os diversos espaços culturais do Estado, que somam, ao todo, 40 mil peças históricas.
O objetivo do governo é centralizar esse material que hoje está espalhado por museus do interior, que muitas vezes não possuem verba para fazer a manutenção de seus acervos.
Tour. No novo museu, a visita deve começar pelo porão da Casa das Retortas, na qual estão os antigos fornos onde era colocado o carvão mineral para a produção do gás que gerava a luz elétrica do século 19.
Na subida até o térreo do edifício de arquitetura inglesa, será apresentada a São Paulo do período do pré-descobrimento do Brasil, com descrição detalhada dos povos indígenas que habitavam a região. Entre os mezaninos, haverá 'ilhas' onde o visitante poderá aprofundar os assuntos, por meio de vídeos, maquetes e exposições multimídia. O passeio terminará em um prédio anexo, de cerca de 2 mil metros quadrados, que será construído entre a Casa das Retortas e o pavilhão onde eram guardados os materiais da antiga fábrica de gás - que será preservado e destinado a exposições temporárias.
Atrás dos prédios será construída uma praça que conservará os trilhos dos carrinhos de carvão. A obra também prevê instalação de livraria, restaurante e lojas de souvenirs.
Em um novo prédio, de cerca de 6 mil metros quadrados em forma de ferradura, será construído o Centro Paulista de Documentação, batizado de SPDoc, que reunirá parte do acervo do Arquivo Público do Estado. O projeto do complexo foi feito pelo arquiteto Pedro Mendes da Rocha.
A previsão é de que o investimento total na reforma e no novo espaço cultural seja de cerca de R$ 70 milhões. A construção de uma passarela sobre a Rua da Figueira, que uniria o museu ao Espaço Catavento, na antiga sede do Palácio das Indústrias, foi excluída do projeto.
Italianos
Como a Hospedaria dos Imigrantes ficava no Brás, muitos estrangeiros que chegaram à capital, principalmente italianos, fixaram-se em ruas do bairro, como as do Gasômetro e do Lucas.
O NOME: RUA DO GASÔMETRO (BRÁS, CENTRO)
Por anos a iluminação de São Paulo foi à base de azeite de peixe. Em 1847, mudou para gás de hidrogênio líquido e, em 1863, para querosene. Na noite de 31 de março de 1872, diante da família imperial, 55 lampiões foram acesos com uma nova substância: o gás produzido no estabelecimento que deu nome à rua ee se tornou conhecidíssimo: o Gasômetro.
Por Diogo Zanchetta
Na esquina da Rua do Gasômetro com a Avenida do Estado, o governo do Estado iniciou a recuperação da Casa das Retortas, a sede da primeira empresa fornecedora de energia a gás na cidade, inaugurada em 1872. O local está em obras para receber o Museu da História de São Paulo. A proposta do novo museu é reunir, em 4 mil metros quadrados de exposições, uma história hoje contada aos pedaços, distribuída entre os diversos espaços culturais do Estado, que somam, ao todo, 40 mil peças históricas.
O objetivo do governo é centralizar esse material que hoje está espalhado por museus do interior, que muitas vezes não possuem verba para fazer a manutenção de seus acervos.
Tour. No novo museu, a visita deve começar pelo porão da Casa das Retortas, na qual estão os antigos fornos onde era colocado o carvão mineral para a produção do gás que gerava a luz elétrica do século 19.
Na subida até o térreo do edifício de arquitetura inglesa, será apresentada a São Paulo do período do pré-descobrimento do Brasil, com descrição detalhada dos povos indígenas que habitavam a região. Entre os mezaninos, haverá 'ilhas' onde o visitante poderá aprofundar os assuntos, por meio de vídeos, maquetes e exposições multimídia. O passeio terminará em um prédio anexo, de cerca de 2 mil metros quadrados, que será construído entre a Casa das Retortas e o pavilhão onde eram guardados os materiais da antiga fábrica de gás - que será preservado e destinado a exposições temporárias.
Atrás dos prédios será construída uma praça que conservará os trilhos dos carrinhos de carvão. A obra também prevê instalação de livraria, restaurante e lojas de souvenirs.
Em um novo prédio, de cerca de 6 mil metros quadrados em forma de ferradura, será construído o Centro Paulista de Documentação, batizado de SPDoc, que reunirá parte do acervo do Arquivo Público do Estado. O projeto do complexo foi feito pelo arquiteto Pedro Mendes da Rocha.
A previsão é de que o investimento total na reforma e no novo espaço cultural seja de cerca de R$ 70 milhões. A construção de uma passarela sobre a Rua da Figueira, que uniria o museu ao Espaço Catavento, na antiga sede do Palácio das Indústrias, foi excluída do projeto.
Italianos
Como a Hospedaria dos Imigrantes ficava no Brás, muitos estrangeiros que chegaram à capital, principalmente italianos, fixaram-se em ruas do bairro, como as do Gasômetro e do Lucas.
O NOME: RUA DO GASÔMETRO (BRÁS, CENTRO)
Por anos a iluminação de São Paulo foi à base de azeite de peixe. Em 1847, mudou para gás de hidrogênio líquido e, em 1863, para querosene. Na noite de 31 de março de 1872, diante da família imperial, 55 lampiões foram acesos com uma nova substância: o gás produzido no estabelecimento que deu nome à rua ee se tornou conhecidíssimo: o Gasômetro.
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