segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ca'd'Oro, 1953-2009: fim de um símbolo: O primeiro hotel cinco estrelas de São Paulo fecha suas portas

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091221/not_imp485176,0.php

Símbolo do charme de um centro paulistano que não existe mais, o Grand Hotel Ca"d"Oro, primeiro cinco estrelas de São Paulo, fechou suas portas ontem, quando as chaves dos dois últimos quartos ocupados foram entregues em um check-out definitivo. "O importante é que encerramos de cabeça erguida, atendendo aos hóspedes sem o serviço perder qualidade", afirma o recepcionista Ricardo Noçais, de 64 anos, 43 deles a serviço do hotel.

Um dos últimos hóspedes, o empresário italiano Marco Crippa saiu no sábado. Ele, que visita a capital paulista quatro vezes por ano desde 1992, só ficava no Ca"d"Oro. "Tiraram minha casa de São Paulo", lamenta. Na noite de sexta, foi servido o último jantar do restaurante. Dos 120 lugares do salão, apenas 22 estiveram ocupados.

Ao menos oficialmente, o Ca"d"Oro será reaberto nos próximos anos. "Estamos procurando investidores para uma reforma", diz o proprietário Aurélio Guzzoni. "Iremos funcionar para a Copa de 2014." O otimismo não é compartilhado pelos funcionários, que já espalham seus currículos. "É complicado ser dispensado, mas faz parte da vida", conforma-se o auxiliar de garçom Ailton Oliveira.

ILUSTRES HÓSPEDES
Em suas décadas áureas, o hotel - e o restaurante contíguo - era refinado ponto de encontro de autoridades, intelectuais e artistas. O pintor Di Cavalcanti (1987-1976) chegou a morar ali durante alguns meses. O poeta Vinicius de Moraes (1913-1980) e o escritor norte-americano Gore Vidal também eram figurinhas fáceis pelos corredores.

Entre os autógrafos orgulhosamente colecionados pela administração do hotel - conseguidos quando os ilustres ocupavam uma suíte ou uma mesa do restaurante -, estão nomes como o do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973), do cientista norte-americano Linus Pauling (1901-1994), dos escritores Jorge Amado (1912-2001) e Rachel de Queiroz (1910-2003), do cantor Roberto Carlos, do apresentador de televisão e empresário Silvio Santos e do ex-jogador de futebol Pelé. Além de políticos, como o estadista francês François Mitterrand (1916-1996), o ex-governador paulista Mário Covas (1930-2001), o rei espanhol Juan Carlos I e os ex-presidentes brasileiros Ernesto Geisel (1907-1996) e Jânio Quadros (1917-1992).

Quando se submeteu a tratamento médico em São Paulo, o então presidente João Batista Figueiredo (1918-1999) chegou a despachar de uma suíte no Ca"d"Oro. Em 1991, o tenor Luciano Pavarotti (1935-2007) ocupou um dos luxuosos quartos - que foi totalmente reformado para recebê-lo.

A história do empreendimento começou em Bérgamo, na Itália. Em um dos hotéis da família, Fabrizio Guzzoni (1920-2005) conheceu uma brasileira, com quem viria a se casar. Já em São Paulo, inaugurou o Ca"d"Oro - primeiro como restaurante, em 1953, na Rua Barão de Itapetininga. Três anos depois, na Rua Basílio da Gama, nascia o hotel. Poucos anos mais tarde, com 300 apartamentos, Guzzoni instalava seu negócio no endereço definitivo, na Rua Augusta.

Para se ter uma ideia de como o Ca"d"Oro prezava a elegância, até 1962 era proibida, em seu restaurante, a entrada de homens sem gravata. Havia até uma placa, oficializando a norma. Depois, a regra foi abrandada - era exigido apenas o paletó, embora dificilmente algum frequentador dispensasse a gravata. A administração mantinha paletós para emprestar a algum desavisado.

Outros Que Se Foram
Crowne Plaza (Rua Frei Caneca): fechado em 2008, foi vendido para o Ministério Público Federal
Hilton (Avenida Ipiranga): desocupado em 2005, o prédio abriga gabinetes do Tribunal de Justiça
Othon Classic (Rua Líbero Badaró): fechado em 2008, está vazio desde então

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Arquivo do Estado terá novo prédio

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091127/not_imp472907,0.php


Capacidade de armazenamento será ampliada em 9 vezes

Vitor Hugo Brandalise

Arquivo Público do Estado começou, no início do mês, uma reforma em sua sede para aumentar em nove vezes a capacidade de armazenamento do acervo histórico - documentos da administração pública desde o século 17. Hoje, são guardados no complexo da Avenida Cruzeiro do Sul, na zona norte de São Paulo, cerca de 10 quilômetros lineares de documentos, 1,5 milhão de fotografias e 1,2 mil títulos de jornais e revistas. Conforme admite a coordenação do órgão, já não há espaço para mais nada.

Com a construção de um novo edifício, de 11 andares e 23 mil metros quadrados dentro do complexo, a capacidade do Arquivo subirá para 90 km de documentos em um único espaço. Com 23 km de documentos guardados - além dos 10 km armazenados na zona norte, há outros 13 km em depósitos na Mooca -, o Arquivo Público do Estado é o segundo maior do País, atrás apenas do Arquivo Nacional (que guarda 55 km lineares de documentos, divididos nos complexos do Rio e de Brasília).

No novo prédio do Arquivo paulista, haverá cinco andares com pé direito duplo, onde estarão armazenados processos que mostram todos os atos do Executivo na história do Estado. As obras, avaliadas em R$ 68 milhões, começaram no início do mês e devem ser finalizadas em dezembro de 2010.

A capacidade de atendimento com as reformas será quadruplicada - hoje, há espaço para 25 pessoas realizarem pesquisas simultaneamente; na nova área, até cem pesquisadores poderão trabalhar ao mesmo tempo, em espaços para pesquisas em grupo ou individuais. "O Arquivo é procurado hoje principalmente por pesquisadores de universidades, estudantes do ensino médio e por cidadãos interessados em obter cidadania de outros países, por exemplo, ou o histórico de alguma posse adquirida", explica o coordenador do Arquivo, Carlos Bacellar. "Será o primeiro prédio projetado especificamente para um arquivo de grande porte no País", diz.

Os ambientes do novo prédio do Arquivo serão climatizados, em temperatura média que variará entre 18°C e 20°C nos depósitos destinados a papel - hoje, não há ar condicionado no prédio e a climatização é feita somente com ventiladores. "No novo edifício, os depósitos serão construídos especialmente para o tipo de documento que se destinam a abrigar, com diferentes instalações para cartografia e iconografia", conta Bacellar.

Além disso, serão construídos novos laboratórios de preservação, restauração, microfilmagem e digitalização de documentos. "Já no próximo mês, vamos colocar na internet cerca de 29 mil páginas digitais de consulta para obtenção de cidadania. Mas, com novos laboratórios, documentos serão restaurados e digitalizados em volume muito maior", diz Bacellar.

No novo complexo, também haverá biblioteca para armazenar 45 mil volumes do acervo do Arquivo, auditório, espaço para exposições, livraria e café.

Entre o material procurado por pesquisadores para consulta no acervo do Arquivo Público do Estado estão as cerca de 1,1 milhão de fichas do Departamento de Ordem Pública e Social (Dops), órgão destinado a controlar e reprimir movimentos contrários ao regime militar - e que fichou até o papa João Paulo II, quando ele esteve no Brasil em 1982 (está lá, sob o nome Segundo, João Paulo, conforme grafaram agentes do Dops). "Atrai pesquisadores e curiosos", conta Carlos Bacellar, coordenador do Arquivo. "Cansei de ver gente vir até aqui para procurar sua própria ficha, para saber o que o regime apontava.

"Também há livros de registro que contam a história de todas as vilas da capitania de São Paulo entre 1765 e 1850, listadas domicílio a domicílio. "É um registro único no País.

"Numa tarde da semana passada, a aposentada Maria Lucia Ney, de 71 anos, esteve no Arquivo para "se informar sobre o mundo". "Gosto daqui, mas uma reforma cairá bem, para dar mais conforto a quem pesquisa e conservar melhor os documentos", conta. "Visitar o arquivo é uma boa maneira de mostrar aos jovens a importância de conhecer sua história. Dá até uma maior noção de cidadania e respeito ao que passou."

Periódicos do passado - incluindo toda a coleção fotográfica dos jornais Última Hora e Diários Associados, adquiridos em 2007 - também estão entre os itens procurados no Arquivo Público do Estado. As revistas e os jornais foram digitalizados e estão disponíveis na internet no site www.arquivoestado.sp.gov.br. Além disso, as fichas do Dops foram divididas em temas (por nome de sindicato, de entidade estudantil, de evento), digitalizadas e também estão na internet como parte do Projeto Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional. Também estão disponíveis no site do órgão ou em www.memoriasreveladas.arquivonacional.gov.br.

Para cidadãos interessados em conseguir cidadania estrangeira, em dezembro, o Arquivo vai colocar na internet cerca de 40 mil páginas de documentos dos núcleos coloniais do Estado, que ajudarão a comprovar a origem das famílias de imigrantes.

Arquivo Público do Estado de São Paulo - Rua Voluntários da Pátria, 596 (Estação Tietê do Metrô); de terça a sábado, das 9 às 17 horas;tel.: (11) 2221-4785;
www.arquivoestado.sp.gov.br

O fim do ''velho'' Largo da Batata

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091129/not_imp473667,0.php
Com obras da Prefeitura e a valorização imobiliária, comerciantes que fizeram a história do bairro saem de cena
Por Rodrigo Brancatelli

São 15 horas e alguns poucos minutos de uma terça-feira nublada e a vida no Largo da Batata, que sempre andou um bocado apressada, parece marchar em câmera lenta. Ali no coração de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, o farmacêutico Leonardo Shima permanece impávido, atrás do balcão que existe desde 1955, esperando a clientela aparecer. Ele mantém o sorriso generoso no rosto, mesmo ao lembrar que uma megadrogaria abriu há poucas semanas na vizinhança - e parece que ela está cheia de gente comprando xampus, creme dental, barras de cereais, chicletes, suplementos alimentares e, pasmem, até remédios.
Seu Chico, um experiente marceneiro que já trabalhou até na França, também está sem muito serviço e mata o tempo vendo um filme do Stallone na televisão. Já Jesus Andrade, conhecido como Jesus Alfaiate, aproveita para consertar a inseparável máquina de costurar enquanto nenhuma "madame apressada" ou "empresário precisando fazer a barra da calça" aparece de repente pela porta. Ninguém surge pelos próximos 15 minutos, mas ele continua lá, esperançoso. Esse mesmo otimismo, no entanto, anda meio sumido da sorveteria Fiesta, há quase 30 anos vendendo o melhor sorvete de amora, milho-verde e de amendoim do Largo da Batata - apenas R$ 0,90 o picolé. As mesas de fórmica estão vazias, silenciosas, tristes. Parece até que a região está ficando um pouco menos doce.
As obras de revitalização e adequação do Largo da Batata, que devem transformar a área numa esplanada até o fim de 2010, ao custo de R$ 100 milhões, não estão mudando apenas as ruas do local. Estão também alterando a vida de personagens que fizeram a história do bairro, que ergueram do zero os negócios familiares há décadas, mas agora planejam ou até mesmo começam a deixar seus endereços por causa da valorização imobiliária. São sapateiros, marceneiros, vendedores de miudezas e alfaiates; comércios populares que não terão vez nesse "novo" e "rico" Largo da Batata.

"CAIU MUITO, NÉ?"
"O movimento caiu muito, né", diz Massao Miyashita, comerciante mais antigo do Largo da Batata, que começou vendendo artigos de armarinho, em 1949. Sua loja deve ganhar em breve uma placa de vende-se ou aluga-se. "Eu tentei continuar aqui porque gosto muito da área. Mas eu estou ficando velho, acho que está chegando a hora da aposentadoria."
Muitos moradores mais antigos e comerciantes já deixaram a região, e os que resistem parecem viver num misto de expectativa e receio. "Não é nada agradável ficar assim, sem saber como vai ser o futuro", diz Cleusa Polimeno, que cuida de uma tabacaria fundada pelo avô, em 1943. O largo que há tempos não tem mais batatas agora também está perdendo parte da personalidade: ao mesmo tempo em que a degradação desapareceu, estão sumindo a olhos vistos hábitos e práticas antigas. São profissões e ofícios que resistiram ao tempo, mas não à falta de clientes. "Simplesmente não sei fazer outra coisa a não ser consertar sapatos", resume Pedro Halgsik, de 75 anos, que trabalha há quase três décadas na região.


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091129/not_imp473686,0.php
Valor dos imóveis triplicou no Largo
Na Prefeitura, há pedidos de 37 novos prédios para a região

Pelas ruas do Largo da Batata já há até um clima de saudosismo no ar. Um sentimento difícil de explicar em um único parágrafo, mas que movimenta uma poderosa teia de memórias, medos, apreensões, receios e muitas, mas muitas dúvidas.
"Ainda estamos sem saber como vai ser no futuro, né, ainda mais se subirem os aluguéis. Como essa nova farmácia que abriu aqui do lado. O perfil do largo está mudando, mas não dá para imaginar se vai ser bom ou ruim se continuarmos aqui", diz Leonardo Shima, que cuida da farmácia inaugurada pelo sogro, Yoshitomi Assakaua, há 54 anos.
"Eu nasci aqui no Largo da Batata e continuo aqui", completa o engenheiro Domingos Barone, cliente cativo de seu Shima. "Lembro até de vir aqui na farmácia para tomar injeção. Injeção mesmo, daquelas de vidro. Mas hoje estou quase vendendo a minha casa. Começaram oferecendo R$ 2 mil o metro quadrado, mas já me ligaram tentando comprar por R$ 4 mil, e alguns lugares já subiram para R$ 6 mil."
"Já fecharam várias lojinhas, o Bazar 13, o Albano, a Casa das Miudezas, a tabacaria", continua Leonardo Shima. "Acho que é inevitável o que vai acontecer..."
Acreditando no ganho potencial da área - que, reformada e com uma nova estação do Metrô, estará mais integrada com o restante da cidade -, construtoras estão em busca de terrenos para incorporação e os primeiros empreendimentos começam a aparecer. Esse boom imobiliário atinge um perímetro de cerca de 4 quilômetros quadrados, delimitado pela Marginal do Pinheiros, pelas Ruas Frederico Herman Júnior, Purpurina, Aspicuelta, Cristiano Viana e pela Alameda Gabriel Monteiro da Silva - na Prefeitura, há o pedido de 37 novos prédios para a região.
"Ofertas? Nossa, teve uma semana em que todo dia alguém ligava querendo comprar meu terreno", conta Regina Almeida, médica de 42 anos que mora num charmoso sobrado que pertenceu ao avô. "O problema é que compraram todas as casas vizinhas, não tenho o que fazer. É uma venda à força, sabe." Segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), o valor do imóvel nessa área triplicou nos últimos cinco anos e deve continuar em escalada.
A exemplo do que já ocorreu em bairros como a Vila Olímpia, Pompeia, Perdizes e Tatuapé, só para ficar nos casos mais recentes, chegam as máquinas, os incorporadores, os prédios de alto padrão, as lojas de luxo, os estacionamentos caríssimos. Tudo isso obviamente causa um grande impacto na vida dos moradores mais tradicionais do bairro. "Meu amigo, a gente não tem mais espaço aqui, não", diz Luiz Quaresma Neto, de 52 anos, que mora no bairro e tem uma lanchonete no largo. "Estamos à venda. Não vai dar mais para pagar o aluguel aqui, e o meu público já está desaparecendo. Minha família está neste mesmo endereço há pelo menos três décadas, quando aqui era um reduto japonês. Meu avô contava que o largo cheirava a shoyu e missoshiru. Já meu pai viu isso aqui florescer, viu todo o movimento que chegou com os ônibus, com a imigração nordestina. Agora, eu vejo essa história sumir. Sempre fico pensando o que contarei para o meu filho, se vai ser um final feliz ou triste."

PREJUÍZO
Para o arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), a obra no Largo da Batata pode melhorar o trânsito e a fluidez, mas vai invariavelmente render prejuízo à identidade do Município. "Isso já aconteceu em diversos bairros, e ainda vai acontecer com outros", diz."A unidade da vizinhança fica extremamente prejudicada, e valores são sacrificados em nome do crescimento de São Paulo. Mesmo com a degradação posterior, a riqueza da história de Pinheiros é única. Em Santana, por exemplo, foi a mesma coisa, a ocupação jesuíta foi esquecida e os endereços históricos foram destruídos. Quando capítulos como esses somem assim, há um empobrecimento histórico da nossa cidade."
var keywords = "";

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Cidades lançam Rota Turística do Rio Tietê

OESP Caderno Cidades 17/09/2009

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090917/not_imp436312,0.php

Roteiro refaz andanças bandeirantes e destaca 9 municípios paulistas

José Maria Tomazela, SOROCABA

Cinco anos depois de ser criado pelo governo estadual, o Roteiro dos Bandeirantes, antiga rota usada pelos colonizadores paulistas tendo como eixo o Rio Tietê, está pronto para atrair turistas. As nove cidades que integram o roteiro definiram os atrativos e criaram a infraestrutura para receber os visitantes. "Agora é hora de colocar nosso produto no mercado", diz o secretário executivo do Consórcio do Médio Vale do Tietê para o Turismo, Pedro Macerani.

A diretoria que assumiu o consórcio na semana passada terá o desafio de convencer o turista, sobretudo o paulistano, de que vale a pena visitar todas as cidades do percurso. O roteiro refaz o caminho por onde passaram os desbravadores que partiram da Vila de São Paulo de Piratininga para andanças pelo então desconhecido território nacional, em busca de metais preciosos e riquezas. São cerca de 200 quilômetros, saindo de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, e passando pelas cidades de Pirapora do Bom Jesus, Araçariguama, São Roque, Cabreúva, Salto, Itu e Porto Feliz, até a chegada em Tietê.

De acordo com Macerani, todas as cidades criaram postos de informações turísticas e adotaram a sinalização urbana, além de designar uma comissão voltada para esse turismo. "Queremos agora que o governo do Estado faça a sinalização do roteiro nas rodovias de acesso e ajude a divulgar as atrações. Também estamos em contato com agências de turismo e vamos participar de feiras e eventos."

As cidades têm em comum o vínculo histórico-cultural com o movimento bandeirista, mas cada uma dispõe de atrativos próprios, capazes de agradar aos visitantes. São museus, fazendas históricas, trilhas e caminhos dignos de serem explorados, segundo Macerani. "A viagem é uma excelente oportunidade para o visitante se aprofundar na história do Brasil, pisando nas mesmas terras por onde passaram personagens como Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, e Fernão Dias Paes Leme, o caçador de esmeraldas." A Casa de Anhanguera é uma das atrações de Santana de Parnaíba, além da igreja e do casario colonial tombados pelo patrimônio histórico.

Exemplares da arquitetura oitocentista estão presentes também em Itu, famosa pelas igrejas e sobradões, Porto Feliz e Tietê. A cidade de São Roque, que passou a fazer parte do roteiro neste ano, tem o Sítio Santo Antonio, com a casa bandeirista, e as vinícolas. Araçariguama preserva uma mina de ouro que, no passado, despertou a cobiça dos colonizadores. Salto inaugurou o Memorial do Rio Tietê e tem parques geológicos.

EVENTOS

A região guarda uma grande diversidade gastronômica, de pratos típicos a doces caseiros e cachaça artesanal. Conta ainda com muitos eventos, como a Paixão de Cristo de Salto, o Corpus Christi de Santana de Parnaíba, a Festa do Bom Jesus de Pirapora, a de São Benedito de Tietê, a saída das Monções em Porto Feliz e as romarias. "Queremos que o roteiro não seja atração para um único dia, mas para vários fins de semana", afirma o prefeito de Tietê, José Carlos Melaré (PTB), novo presidente do consórcio.

Em busca da São Paulo esquecida

OESP 13/09/2009 Caderno Cidades

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090913/not_imp433960,0.php

A lente de câmera digital bem pequenininha que Douglas Nascimento sempre carrega no bolso já está treinada para traduzir o descaso em beleza. Todo santo sábado de madrugada, quando a cidade ainda acorda, o fotógrafo paulistano de 34 anos percorre os mais escondidos cantos de São Paulo em busca de ruínas, sujeira, abandono, degradação. São tijolos desgastados, reboco caindo, janelas quebradas. Esqueletos de concreto. Imóveis com janelas eternamente fechadas. Memórias simplesmente esquecidas. Ainda assim, Douglas e sua diminuta Lumix FV28 registram tudo, fotografam todos os detalhes, anotam os mais discretos contornos. E, no final das contas, dão sentido para algo em que ninguém mais repara.

Douglas é editor de um site chamado São Paulo Abandonada (www.saopauloabandonada.com.br), espécie de canal virtual de fiscalização que ele criou em janeiro para inventariar e preservar o que restou do patrimônio paulistano. São fotos de casas, fábricas e galpões abandonados, muitos dos quais correm o risco iminente de desabar ou de serem demolidos para dar lugar a mais um daqueles espigões residenciais com detalhes neocoloniais. Até agora, ele já visitou e fotografou 120 endereços - são capítulos importantes da história de São Paulo, casos flagrantes de patrimônio invisível, bens tombados imperceptíveis, que estão ali mas ninguém se dá conta.

"Sempre gostei de fotografar fachadas, casas, então comecei a montar um arquivo pessoal com essas imagens", conta ele. "Certo dia percebi que vários imóveis que havia registrado já não existiam mais. Um amigo meu me indicou um site de Portugal, o "Lisboa Abandonada" [www.lisboa-abandonada.com], e achei que era hora de fazer um aqui, até para evitar que outras casas desaparecessem. Agora tiro a foto do local, peço ajuda de uma amiga historiadora para levantar a memória do endereço, e ainda localizo num mapa para que qualquer pessoa encontre. Principalmente, para que a Prefeitura encontre e faça alguma coisa.

"No site é possível conhecer palacetes entregues à própria sorte na região central, antigos cinemas que viraram estacionamento, teatros fechados, hospitais esquecidos, edifícios que se transformaram em cortiços, casarões que já sumiram do mapa, vilas operárias centenárias que parecem cidades fantasmas. Há um óbvio fio condutor - mudam-se os endereços, os bairros e as zonas, mas fica evidente que a falta de uma política eficiente de preservação se repete por toda a cidade.

"Já vi de tudo por aí, na semana passada mesmo descobri uma casa bandeirista que já era dada como demolida", diz. "Tenho uma câmera profissional, mas prefiro usar uma digital bem pequena que carrego no bolso para onde for, e aí dá para fazer todos os flagras. Além disso, também sempre tenho um gravador à mão, porque vejo vários exemplos de patrimônio abandonado quando estou dirigindo, mas não tenho tempo de parar. Junto tudo isso, faço uns roteiros prévios, e vou no sábado às 5 horas percorrer e fotografar os lugares. É bom ser sábado de manhã, porque alguns endereços são na periferia, são perigosos, mas descobri que vagabundo e criminoso não acordam cedo.

"Nos últimos meses, com o sucesso do site e com a inclusão de um canal para denúncias anônimas, o trabalho de Douglas aumentou exponencialmente. "São quase mil visitas diárias, e às vezes tenho de desligar o celular porque não paro de receber novas denúncias", conta. "Acho que hoje está aumentando o interesse pelo patrimônio. O meu interesse por esse assunto surgiu por causa do fotógrafo Augusto de Azevedo, que foi um dos únicos a retratar a transformação da cidade no fim do século 19. Se não fossem as fotos dele, não saberíamos como era São Paulo. Até o túmulo dele no Cemitério da Consolação estava abandonado. Quero agora fazer o mesmo trabalho, quero que no futuro peguem minhas fotos e vejam um registro da São Paulo que acabou sendo demolida."

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Cidade ganha nova opção de cultura: vem aí o Museu de História de SP

http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=103000

Espaço será instalado na Casa das Retortas, próximo ao centro antigo


Vem aí mais um cartão postal para cidade (e o Estado): o recém-criado Museu de História de São Paulo, que começará a funcionar em março de 2010, na antiga Casa das Retortas, no Parque D. Pedro. Tudo que possa documentar o passado paulista estará lá: as primeiras construções de taipa erguidas num povoado insignificante, as transformações econômicas e sociais ocorridas ao longo dos séculos, as conquistas, a terra da fartura, habitada pelos índios tupiniquins e por eles chamada Campos de Piratininga. Tudo isso é história e o objetivo do novo museu será exatamente esse: oferecer ao visitante a oportunidade de um mergulho na história paulista.
A implantação do novo espaço ficará sob a responsabilidade da Secretaria de Estado da Cultura, por meio da Fundação Patrimônio Histórico da Energia e Saneamento, que cuidará do projeto de museologia e museografia da instituição cultural. A antiga Casa das Retortas – do final do século 19, com área de 20 mil metros quadrados e tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) – fica à mostra na ponta de uma rua não menos famosa, a do Gasômetro, entre as ruas Maria Domitila e da Figueira.

Vizinho ilustre – No passado, era utilizada para extração de gás destinado à iluminação pública antes de São Paulo dispor de energia elétrica. Retorta é o recipiente que recebia o carvão para produzir gás. Tem como vizinho o antigo Palácio das Indústrias, que já foi sede de vários órgãos públicos, entre eles a prefeitura paulistana e a Assembleia Legislativa. Mais para cima fica o Pátio do Colégio, onde aportou há mais de 500 anos o padre Anchieta, vindo de viagem difícil, do litoral até o planalto.
Todas as dificuldades enfrentadas estão registradas em carta histórica, que estará em exibição no novo museu. “Nossa intenção é que o museu tenha essa narrativa cronológica, desde a chegada do colonizador até os dias atuais, da subida à serra, mostrando a diversidade étnica, a riqueza natural do Estado, o espírito empreendedor, a expansão cafeeira, aspectos importantes para se entender a história de São Paulo”, ressalta o curador Roberto Pompeu de Toledo, jornalista e escritor, autor do livro A capital da solidão, uma história de São Paulo, das origens a 1900.
Segundo o curador, as ideias sobre o museu, acervo e exposições permanentes começam a aparecer, a sair do papel. Haverá recriações de construções, como, por exemplo, da Casa Bandeirista, vestuário utilizado pelos paulistas ao longo do tempo, assim como peças autênticas, de época, solicitadas aos diferentes outros equipamentos culturais já existentes para compor o acervo do museu. “Enfim, os paulistas terão um museu meio interativo, aliado ao tradicional, sempre de maneira abrangente e didática do começo ao fim”, enfatiza.

Parceiros – Para fazer tudo isso, Roberto Pompeu terá a companhia de dois outros nomes de peso: o também escritor e jornalista Jorge Caldeira, e o historiador Marco Antônio Villa, este com a incumbência de coordenar o Centro Paulista de Documentação (SPDOC), com documentos dos governos anteriores disponíveis para consulta pública. O novo centro de pesquisa histórica terá prédio próprio e atuará em parceria com o Arquivo Público do Estado. O objetivo, segundo Villa, é resgatar a memória política, cultural, econômica e social de São Paulo, com ênfase no registro da história local. O SPDOC é inspirado no Centro de Pesquisa e Documentação de História do Brasil, da Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro, criado em 1973, com a finalidade de produzir, organizar, pesquisar, publicar e divulgar documentos referentes à memória e à história do Brasil.
A memória oral, por exemplo, será registrada em entrevistas com personalidades de destaque na política de São Paulo, como o ex-governador Laudo Natel, já entrevistado. Plínio de Arruda Sampaio já falou sobre o governo Carvalho Pinto. “No momento, há pesquisadores, historiadores, enfim, muita gente envolvida com os futuros trabalhos, todo mundo está em campo”, adianta Villa. Devem integrar o conjunto, ainda, restaurante, lanchonete e livraria.

Mais cultura na região do Gasômetro
Comerciantes e empregados da região da Rua do Gasômetro comemoram a chegada do Museu de História de São Paulo. Valdeci Galvão, vendedor numa loja de madeiramento, há mais de 25 anos na Rua Maria Domitila, diz que aprendeu a conviver com o movimento que “vira e mexe” acontece por ali. “São gravações de propaganda de Ferrari, lançamentos de carros, fashion week. Sempre fiquei olhando de esguelha, sem nunca chegar perto. Neste museu, finalmente, poderei entrar e aprender um pouco mais, justo eu, que mal completei o ensino médio”.
Já o comerciante Nelson Kastropil, nascido no bairro paulistano do Belém, proprietário de uma loja de embalagens descartáveis, há 12 anos na região, esfrega as mãos de contente. “Quanto mais se fizer nesse sentido melhor, até para avivar um pouco nossa memória. Gostaria de ver em destaque nesse museu tudo o que diz respeito ao café, essa máquina propulsora que alavancou São Paulo e que tem muito a ver com a história de minha família, imigrantes iugoslavos”.

Maria das Graças Leocádio - Da Agência Imprensa Oficial

quinta-feira, 9 de julho de 2009

incluir

a bordo de jardineira, um tour no ipiranga - 02/07

stauração do edifício lutetia

a revolução de 1924 06/07/09

reduto de intelectuais corre o risco de fechar 06/07

Decadência na antiga zona fabril Galpões estão às moscas na Avenida Presidente Wilson 02/07

A história dos símbolos paulistas

O Estado de São Paulo, Caderno Metrópole, 09/07/2009

Por Tiago José Berg *

Você já se perguntou sobre a origem de nossos símbolos? Foi a partir da Constituição Republicana de 1891 que as províncias foram transformadas em Estados federados e ganharam oficialmente o direito de ter bandeira, escudo e hino, independentemente dos símbolos nacionais. São Paulo, que nas primeiras décadas do século 20 se convertera na vanguarda da economia, cultura e política no Brasil, foi por ironia o último a adotá-los. Apenas durante a Revolução Constitucionalista de 1932, celebrada hoje, oficializou um brasão de armas e passou a desfraldar arduamente uma bandeira proposta pela primeira vez em julho de 1888 pelo escritor mineiro Júlio César Ribeiro Vaughan (1845-1890).Republicano fervoroso, ele publicou um artigo no jornal O Rebate, do qual era fundador, propondo a criação de uma bandeira com 15 faixas horizontais - as burelas - nas cores preta e branca. No canto superior esquerdo, um retângulo vermelho com círculo branco continha um mapa azul do Brasil em azul - com as fronteiras da época, ainda sem o Acre - e quatro estrelas amarelas.Escreveu Júlio Ribeiro: "Esta bandeira preenche tudo o que se possa desejar, simboliza de modo perfeito a gênese do povo brasileiro, as três raças de que se compõe - branca, preta e vermelha. As quatro estrelas a rodear o globo, em que se vê o perfil geográfico do país, representam o Cruzeiro do Sul, constelação indicadora de nossa latitude austral. Assim, pois, erga-se firme, palpite glorioso o Alvo-Negro Pendão do Cruzeiro!" Júlio ainda chegou a criar um projeto de brasão, com ramos de café, cana-de-açúcar e uva, mas que logo foi esquecido.Em relação à bandeira, seu plano era criar não o símbolo do "Estado bandeirante", mas o novo pavilhão brasileiro. Nos últimos anos do Império, haviam surgido entre os republicanos propostas para mudar o pavilhão nacional. Incluindo a dele.Dias após a Proclamação da República, a bandeira de Júlio Ribeiro chegou a ser hasteada no palácio do governo provincial de São Paulo. Os republicanos no Rio de Janeiro usaram modelo parecido, com as cores verde e amarela, mas acabariam por consagrar em novembro de 1889 o atual modelo da bandeira nacional. Nos anos 10, o modelo paulista tornara-se apenas a "bandeira escolar" do Estado. Em meio ao ardor patriótico e bélico paulista na Revolução de 1932, ela ressurgiu com força. Até que em 1937 a Constituição do regime de Getúlio Vargas proibiu o uso de símbolos municipais e estaduais. Segundo Hilton Federici, "por quase um decênio, tempo de duração do Estado Novo, esses símbolos ficaram sepultados, não na memória e no coração dos paulistas, mas nas sombras das imposições ditatoriais". Com a queda de Vargas e a Constituição democrática de 1946, a bandeira paulista foi restaurada pelo Decreto-lei 16.349 e, posteriormente, com a Lei 145, de 3 de setembro de 1948, ganhou na disposição legal um cunho nacionalista: "A bandeira de São Paulo significa que noite e dia (campo burelado de preto e branco) nosso povo está pronto para verter o seu sangue (cantão vermelho) em defesa do Brasil (círculo branco e silhueta geográfica) nos quatro pontos cardeais (estrelas de ouro)." Com o tempo, o pavilhão passou a contar com 13 listras, em vez das 15 originais. O motivo é controverso. Uma hipótese é que as 13 burelas se ajustavam melhor às proporções da bandeira; outra é que se procurou adequá-la ao modelo da bandeira americana, que tem o mesmo número de faixas. Mesmo nos cartazes da Revolução de 32, a bandeira às vezes figurava com 13, às vezes com 15 listras. E, em 1934, a primeira estrofe do poema Nossa Bandeira, de Guilherme de Almeida, consagraria seu atual número: "Bandeira de minha terra,/ Bandeira das 13 listras:/ São 13 lanças de guerra/ Cercando o chão dos Paulistas!"

BRASÃO DE ARMAS

São Paulo também foi o último Estado a adotar brasão de armas na época. Até 1932, além do brasão da República, era famoso entre os paulistas o brasão da cidade de São Paulo, que trazia um braço armado de prata empunhando a bandeira farpada com a cruz da Ordem de Cristo sobre um campo vermelho. Projeto de Guilherme de Almeida com desenho de José Wasth Rodrigues (1891-1957), foi adotado pela Câmara Municipal em 1917 e ganhou tanta influência que d. Francisco de Aquino Corrêa, governador de Mato Grosso, adotou o braço armado como símbolo bandeirante no brasão do Estado em 1918.Durante a Revolução Constitucionalista, com a Campanha do Ouro para o Bem de São Paulo, um primeiro emblema serviu de base à criação do brasão do Estado. Cunhado em medalhas, diplomas, anéis, trazia "uma espada em posição vertical ornada de ramos de louro e de carvalho que se cruzavam". Tinha ainda um listel circular, com a legenda em latim PRO SÃO PAULO FIANT EXIMIA (Por São Paulo façam-se grandes coisas), proposta por José Maria Whitaker e Gastão Liberal Pinto. Notando a falta de um brasão, uma comissão foi encarregada de criar o emblema heráldico, elaborado pelo pintor e desenhista José Wasth Rodrigues com ajuda de Francisco Pati e Clóvis Ribeiro. O projeto foi levado ao então governador Pedro Manuel de Toledo, que o aceitou com uma ressalva: a de que fosse mudada a legenda para PRO BRASILIA FIANT EXIMIA (Pelo Brasil façam-se grandes coisas). O decreto 5.565, de 29 de agosto de 1932, dizia num trecho: "O Estado de São Paulo, ao contrário dos demais Estados da Federação, não possui, ainda, brasão de armas. Vai possuí-lo agora, em hora oportuna como poucas. Como tudo o que é seu, como tudo o que se acha incorporado ao seu patrimônio moral e material, este brasão de armas será, também, uma conquista do seu povo. Em vez de consagrar unicamente glórias antigas, consagrará, também, glórias presentes. Os símbolos que no mesmo figuram viverão pelo que dizem do passado e pelo que confirmam no presente."Graficamente, o brasão é composto por um escudo vermelho português, sobre o qual se assenta uma espada romana, representando o apóstolo Paulo - soldado romano que se converteu ao cristianismo e deu nome a nosso Estado. Simboliza ainda a figura de Amador Bueno da Ribeira, que em 1641 mostrou fidelidade ao rei de Portugal, d. João IV, frente à primeira onda de separatismo na colônia e o próprio bandeirantismo, bem como o Grito do Ipiranga, com d. Pedro I puxando sua espada. Finalmente, relembra o próprio Movimento de 1932 em sua luta pela igualdade, pois a espada é também símbolo da Justiça.Sobre o punho da espada, aparecem dois ramos entrecruzados - um de louro, símbolo da vitória, à destra, e outro de carvalho, à sinistra, cujo significado remete à força. Evocam no brasão "as tradições de bravura cívica e militar do povo paulista". No terço superior do escudo, aparecem as letras SP, cuja sigla significa, além do próprio nome do Estado, a evocação de seu valor e suas glórias. A estrela de prata, que na bandeira nacional é chamada de "Alfa", da constelação do Cruzeiro do Sul, representa São Paulo como membro da federação. Ornam o escudo dois ramos de café entrecruzados e frutificados - a principal riqueza agrícola paulista na época. E, do mesmo modo que a bandeira, abolida pela Constituição de 1937, o brasão foi retomado e oficializado em 1948, durante o governo de Adhemar de Barros.Não é raro que símbolos se descaracterizem ao longo do tempo, seja por divergências na interpretação da lei, versões artísticas ou mesmo erros de reprodução. Em muitos Estados, encontramos ainda hoje brasões fora do modelo original. No caso de São Paulo, há pequena falha a ser comentada.Segundo a Lei 145, de 1948, ele deveria conter "um ramo de louro à destra e de carvalho à sinistra". Mas o que se vê em muitos casos é a repetição dos ramos de louro dos dois lados da espada. Outro detalhe são os frutos de café. Embora não haja determinação legal sobre sua cor, eles aparecem em amarelo ou marrom, em vez do vermelho, conforme uma versão original do desenho.

HINO

Embora na época da Revolução da 32 tenham sido criadas canções e marchas em homenagem a São Paulo e, mesmo depois, a Constituição de 1946 tenha retomado o uso de símbolos estaduais, só em 1967 a Lei 9.854 assinalou a necessidade de instituir um hino. As origens do Hino dos Bandeirantes remontam àquele mesmo ano, quando foi composto pelo advogado, jornalista, poeta e tradutor Guilherme de Andrade e Almeida (1890-1969) em 18 de setembro de 1967, sob o título original de Aquarela Bandeirante.Natural de Campinas, o "príncipe dos poetas brasileiros" entrou para a Academia Brasileira de Letras em 1930 e foi um dos promotores da Semana de Arte Moderna (1922). Também participou ativamente da Revolução de 1932, sobre a qual produziu várias obras. Ainda se destacou na confecção do brasão da cidade de São Paulo (1917) e da bandeira e brasão de Brasília (1960).Em 10 de julho de 1974, estabeleceu-se definitivamente o Hino dos Bandeirantes como o canto do povo paulista por meio da Lei 337 e os direitos autorais foram cedidos pela viúva do poeta, Beikiss Barrozo de Almeida. Mas ainda faltava a música, que seria adotada em 1975, escolhida por concurso público vencido pelo maestro paulistano Spartaco Rossi (1910-1993). Após estudar na Escola Americana e no Conservatório Dramático e Musical, ele atuou em rádios e ajudou a fundar a Orquestra Municipal de São Paulo. Em 1944, também fez com Guilherme de Almeida a Canção do Expedicionário, em homenagem aos pracinhas brasileiros na Segunda Guerra Mundial.

*Professor, geógrafo e autor do livro Hinos de Todos os Países do Mundo (Panda Books, 2008). E-mail: tiago_berg@yahoo.com.br

BIBLIOGRAFIA

FEDERICI, Hilton. ?Símbolos Paulistas: Estudo histórico-heráldico?. São Paulo: Secretaria de Cultura, Comissão de Geografia e História, 1981.
FREITAS, A. A. ?Bandeira Paulista. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo?. São Paulo, 51: 211-214, 1953.
LUZ, Milton. ?A história dos símbolos nacionais: a bandeira, o brasão, o selo, o hino?. Brasília: Senado Federal, 1999.
RIBEIRO, Clóvis. ?Brazões e bandeiras do Brasil?. São Paulo: Editora São Paulo Ltda., 1933.

Sites

http://flagspot.net/flags/
http://pt.wikipedia.org/

HINO DOS BANDEIRANTES

Paulista, para um só instante
Dos teus quatro séculos ante
A tua terra sem fronteiras,
O teu São Paulo das "bandeiras"!
Deixa atrás o presente:
Olha o passado à frente!
Vem com Martim Afonso a São Vicente!
Galga a Serra do Mar! Além, lá no alto,
Bartira sonha sossegadamente
Na sua rede virgem do Planalto.
Espreita-a entre a folhagem de esmeralda;
Beija-lhe a Cruz de Estrelas da grinalda!
Agora, escuta! Aí vem, moendo o cascalho,
Botas-de-nove-léguas, João Ramalho.
Serra acima, dos baixos da restinga,
Vem subindo a roupeta
De Nóbrega e de Anchieta.
Contempla os campos de Piratininga!
Este é o Colégio. Adiante está o sertão.
Vai! Segue a entrada! Enfrenta! Avança! Investe!
Norte - Sul - Este - Oeste,
Em "bandeira" ou "monção",
Doma os índios bravios.
Rompe a selva, abre minas, vara rios;
No leito da jazida
Acorda a pedraria adormecida;
Retorce os braços rijos
E tira o ouro dos seus esconderijos!
Bateia, escorre a ganga,
Lavra, planta, povoa.
Depois volta à garoa!
E adivinha através dessa cortina,
Na tardinha enfeitada de miçanga,
A sagrada Colina
Ao Grito do Ipiranga!
Entreabre agora os véus!
Do cafezal, Senhor dos Horizontes,
Verás fluir por plainos, vales, montes,
Usinas, gares, silos, cais, arranha-céus!


COMENTÁRIOS
Apenas alguns comentários...
Qui, 09/07/09 20:22 , cesar44@estadao.com.br
Estadão, seria importante fazerem uma revisão com algum historiador antes de publicar uma reportagem sobre uma data tão importante quanto esta. A reportagem possui alguns erros bastante graves,tais como: a)as províncias não se tornaram estados na constituição de 1891, foi bem depois. Em 1891 foi colocado que os governadores das províncias seriam chamados de presidentes,o que só mudou quando passaram a ser estados. O conceito de província nada tem a ver com Império,pois a maioria dos países da América Latina são divididos em províncias, não estados. b) O hino colocado não é o hino dos bandeirantes, parece ser do quarto centenário da cidade de SP. c) quanto às 13 listras da bandeira, realmente há controvérsias, mas o mais aceito hoje é que elas representam os 13 deputados brasileiros (que eram paulistas) que compareceram às cortes de Lisboa para a Nova Constituição do Reino Unido a Portugal. Para quem não sabe, os 13 foram presos e mortos pelas cortes, que não aceitavam o Brasil na condição de Reino Unido.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

FORD, 1a. montadora brasileira

OESP Caderno Negócios 07/05/09 B19

No fim da década de 90, analistas do mercado automotivo e financeiro apostavam que a Ford deixaria o País, tão intensa era a crise enfrentada pela empresa. Passado alguns anos, a marca conseguiu se recuperar, construiu uma nova fábrica na Bahia e lançou veículos de sucesso, como o EcoSport. Este mês, ao completar 90 anos de Brasil, a montadora reporta um crescimento de 20% nas vendas no primeiro quadrimestre, num mercado total que praticamente repetiu os números do ano passado em igual período.O presidente da Ford Brasil e Mercosul, Marcos de Oliveira, afirma que o modelo de reestruturação adotado pela subsidiária, que cortou custos mas não poupou investimentos, foi adaptado pela matriz nos Estados Unidos, hoje a única entre as três maiores fabricantes americanas que não está à beira de trocar de comando acionário e nem depende de ajuda governamental para se manter."Acho que a Ford americana vai sair dessa crise internacional mais fortalecida como empresa, embora menor", diz Oliveira. A Ford se desfez das marcas Land Rover, Jaguar e Aston Martin e ainda estuda a venda da Volvo Car. A América do Sul, onde o Brasil responde por mais de 60% das vendas, também deu uma força à recuperação da matriz com envio de dividendos. A região completou neste início de ano 21 trimestres seguidos de lucro.Embora o ganho tenha diminuído sensivelmente em relação ao ano passado - o lucro no primeiro trimestre foi de apenas US$ 63 milhões ante US$ 257 milhões em 2008 -, Oliveira ressalta que a América do Sul foi a única região a ter resultado positivo no período."O valor menor é reflexo do aumento dos custos das commodities, principalmente do aço, e da desvalorização do real", justifica o executivo. No mesmo trimestre, a Ford como um todo teve prejuízo de US$ 1,4 bilhão.Oliveira lembra que o histórico da Ford - a primeira montadora a se instalar no Brasil, inicialmente para montar o lendário Ford T -, inclui uma fusão com a alemã Volkswagen. De 1986 a 1995 as duas companhias passaram a operar conjuntamente, na chamada Autolatina. "Há exemplos de fusões que dão certo, e outras não", diz o executivo, ao ser questionado sobre as negociações entre Fiat, Chrysler e GM na Europa e EUA. A Autolatina está no grupo das que fracassaram. A Ford saiu da experiência em grave crise. A recuperação só ocorreu a partir de 2004.Oliveira concorda, porém, que no cenário futuro haverá "menos grupos automotivos, mas com maior escala produtiva e capacidade de multiplicar os efeitos dos investimentos em produtos e processos globais".

RANKING
Nos anos da crise, a Ford chegou a ficar com apenas 6% de participação no mercado brasileiro. Hoje, com mais empresas disputando clientes do que naquela época, detém 11,4%, com vendas de 103 mil veículos no primeiro quadrimestre."Crescemos dois pontos em relação ao ano passado", informa Oliveira. A marca vem se mantendo no quarto lugar no ranking nacional. Segundo Oliveira, é claro que a empresa quer ganhar pontos, mas, antes disso, a estratégia é aumentar volume de produção e vendas.O grupo mantém seu plano de investimento de R$ 3,4 bilhões para o período 2007/2012 e prepara para este ano seis lançamentos, todos de renovação de modelos já disponíveis. Carro nacional novo, só a partir de 2010, quando chegará ao mercado a nova família de motores que está sendo desenvolvida na fábrica de Taubaté (SP).Amanhã, a empresa lança o novo sedã Fusion, lançamento que ocorre quase ao mesmo tempo em que o modelo, que ganhou design e interior diferentes, chega aos Estados Unidos, Canadá, México e Colômbia. O modelo é fabricado no México.A primeira versão do Fusion foi lançada no País em 2006 e, segundo Oliveira, "ocupou um espaço vazio" no segmento de sedãs com preços entre R$ 80 mil a R$ 100 mil. O mesmo havia ocorrido com o EcoSport, que inaugurou um nicho antes inexistente no mercado brasileiro, o de utilitários-esportivos de pequeno porte. Nos dois casos, a concorrência foi atrás.

CRONOLOGIA
1919, PRIMEIRA MONTADORA BRASILEIRA - Ford instala um galpão na rua Florêncio de Abreu, em São Paulo, para montagem do Ford T
1953, AMPLIAÇÃO - Inaugurada fábrica de automóveis, caminhões e tratores no Ipiranga, em São Paulo
1967, ABC - Com a aquisição da fábrica da Willys, em São Bernardo, produz o 1º carro nacional, o Galaxie 500
1974, NOVA UNIDADE - Inauguração da fábrica de motores em Taubaté (SP)
1986, CASAMENTO - Ford une-se à Volkswagen na empresa batizada de Autolatina
1990, MOVIMENTO SINDICAL - Em greve por salários, operários depredam carros e escritórios na fábrica do ABC. A paralisação durou mais de 50 dias
1995, SEPARAÇÃO - Fim da Autolatina
1998, CORTES NO NATAL - Empresa anuncia 2,8 mil demissões em dezembro, quase metade da mão de obra no ABC, que estava em férias
1999, SAÍDA NEGOCIADA - Funcionários iniciam greve e ocupam a fábrica. Após várias semanas, empresa negocia plano de desligamento de excedentes
2001, DESCENTRALIZAÇÃO - Fábrica de Camaçari (BA) inicia a produção do Fiesta e depois do EcoSport. Unidade de caminhões é transferida do Ipiranga para o ABC
2007, NOVO COMPACTO - Grupo anuncia investimentos de US$ 2,2 bilhões no País e lança a nova versão do Ka
2009, NO AZUL - Com os resultados deste ano, registra 21 trimestres seguidos de lucro, somando ao todo US$ 3,5 bilhões na América do Sul.

Centro de São Paulo vai ganhar a Casa da Imagem

http://www.estadao.com.br/geral/not_ger370143,0.htm