quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Prédio atual é uma réplica do original

15/07/2012

ADRIANA FERRAZ / OESP



Sob o comando do artista plástico Claudio Castro, a Capela do Pátio do Colégio, no centro de São Paulo, sofreu uma repaginação completa há cerca de dois anos.

O altar do templo dedicado ao beato José de Anchieta - originalmente feito de madeira com toques de olho folheado - recebeu um painel de azulejos dourados, com o símbolo jesuíta no centro, um crucifixo de madeira do século 17 suspenso por cabos de aço e piso de granito na cor vermelha.

A revolução na estética interna da capela se estendeu ainda à pia batismal, que ganhou mais profundidade e fonte com água morna para a realização das cerimônias. Segundo Castro informou na época, o projeto teve o objetivo de fazer uma "releitura do estilo barroco", que, na capela, recebeu aspecto mais "clean e moderno".

As polêmicas intervenções foram possíveis porque a construção, de 1979, não era tombada pelos órgãos de defesa do patrimônio histórico e cultural. O prédio é apenas uma réplica do original, construído no século 16 e depois demolido.

Hoje, o espaço é aberto para celebrações festivas, como casamentos e batismos, concertos, apresentações de coral e missas - de terça à sexta, elas ocorrem sempre ao meio-dia; aos domingos, às 10h. Os visitantes da capela podem ainda conferir, ao lado, o acervo do Museu Anchieta.

No que deu...

Tradições estão na fila para registro


18 de outubro de 2012 | OESP
 
ARTUR RODRIGUES
 
Desde outubro, bens imateriais podem ser reconhecidos pelo Estado. A análise deve ser feita sempre pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat).

A ideia é registrar danças, músicas, pratos, costumes, rituais, livros, brincadeiras, lugares ou outros tipos de manifestações artísticas ligadas à história.

Até agora, porém, não foi finalizado nenhum dos processos de registro. O primeiro em estudos está relacionado aos Reinados de Congos de São Paulo, a tradicional congada, uma dança trazida pelos povos bantos africanos, vindos das regiões de Moçambique, Congo e Angola.

Outro pedido de registro que está sendo analisado pelo Condephaat é o do grupo religioso Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, criado para abrigar a religiosidade do povo negro impedido de frequentar as mesmas igrejas dos brancos.

A primeira capela foi erguida em 1711 na Praça Antonio Prado, antigo Largo do Rosário. O local foi demolido e passou a funcionar no Largo do Paiçandu, onde está até hoje.

O conceito de patrimônio imaterial existe desde 1930. Os primeiros estudos relacionados ao tema foram do escritor Mario de Andrade, que realizava pesquisas sobre o folclore nacional.

Fogo destrói parte de seminário do século 19 em São Paulo

Ninguém se feriu no incêndio que atingiu oito lojas da popular ‘rua das noivas’, na Luz; comerciantes locavam área que pertence à Arquidiocese


10 de novembro de 2012 | OESP
 
Bruno Paes Manso
 
 
SÃO PAULO - Um incêndio destruiu na tarde deste sábado parte do Seminário Episcopal da Luz, o mais importante de São Paulo no século 19.

Tombado em 1982 pelo Condephaat, o prédio na Rua São Caetano - a popular “rua das noivas” - hoje abriga lojas de vestido e artigos de casamento. O fogo começou no estoque de uma delas e se alastrou. Oito foram danificadas.

Às 16h20, comerciantes escutaram uma explosão. “Achei que fossem tiros”, disse Vladimir Ribeiro, vendedor que trabalha há 27 anos na região. “Fiquei assustado e saí na rua. Quando olhei para cima, vi fogo no 1.º andar, onde há estoques e oficinas.”

O incêndio teria começado entre as lojas Via Sposa e Arte Noivas. Como havia muito tecido e material inflamável, as chamas se alastraram rapidamente, levando vendedores e lojistas ao desespero. A fumaça podia ser vista de várias partes da cidade. Bombeiros mandaram 27 viaturas e 70 homens ao local. Enquanto eles tentavam conter as chamas, muitas pessoas choravam na calçada. “Ninguém se feriu, mas atendi pelo menos oito mulheres em crise nervosa”, disse Betzaba da Costa, do Samu.

O fogo durou duas horas. “Havia dificuldade de entrar no prédio. Como o teto era comum e tinha muito tecido, o fogo se espalhou rápido”, disse o coronel Milton Viana, do Corpo de Bombeiros. A maior preocupação era que o fogo atingisse a Igreja de São Cristóvão, anexa às lojas.

Mesmo com ação efetiva dos bombeiros, os prejuízos foram grandes. “Só em rendas, pedrarias e tecidos, perdi mais de R$ 1 milhão”, avaliou Mara Lúcia Valente, cuja a mãe é dona de seis lojas atingidas pelo fogo.

Restauração
O antigo Seminário Episcopal da Luz, atrás da Igreja de São Cristóvão, tinha acabado de passar pela primeira fase de um projeto de restauro. Convênio de R$ 2,2 milhões entre a Arquidiocese de São Paulo e a Casa Civil havia possibilitado recentemente o fim da recuperação da fachada e da estrutura interna do imóvel.

Aguardava-se agora a liberação de verba do Programa Monumenta, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para o início da segunda fase do projeto - destinada à fachada externa e ao telhado do local.

Por meio de sua assessoria, o arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal d. Odilo Pedro Scherer, lamentou o “infortúnio” justo neste momento em que a primeira fase de recuperação havia sido concluída. D. Odilo celebrava uma missa na zona norte da capital quando foi informado do incêndio.

Segundo a Arquidiocese, todos os contratos com locatários estavam regulares - por anos, “puxadinhos” irregulares ocuparam o pátio interno do imóvel. A partir de hoje, os comerciantes devem acionar o seguro contra incêndio, previsto no contrato, o que ajudará a avaliar o que foi perdido do restauro. Segundo reportagem do Estado de março de 2011, a obra toda estava orçada em R$ 7,9 milhões e tinha previsão de término para setembro passado.

Imóvel foi construído em 1856
Construído em 1856, o Seminário Episcopal era formado por três alas: capela, colégio e prédio que abrigava aposentos de alunos internos e padres. Segundo Benedito Lima de Toledo, professor de História de Arquitetura a USP, o que sobrou do complexo é apenas a metade da construção original. Ainda está lá a antiga capela - hoje a Igreja de São Cristóvão - , feita de paredes de taipa e sem retábulos (imagens). “Ela deve ser uma das mais humildes igrejas de São Paulo.”

O local onde funcionava o colégio foi ocupado por lojas de noivas. Era um prédio austero, sem arquitetura muito elaborada, mas com grande importância histórica por representar parte do que foi o seminário mais importante de São Paulo no século 19.

Para se ter uma ideia, quando o renomado astrônomo francês Frei Germano Aneci chegou no Brasil, foi convidado por D. Pedro II para assumir a direção do Observatório Astronômico do Rio. Ele recusou, veio para São Paulo e passou a dar aulas do seminário. “Aneci trouxe na época um telescópio muito moderno, de 7,38 metros”, conta Toledo. “Na época, foi uma grande novidade para a cidade.”

O local onde ficavam alunos que seguiriam vida religiosa, o seminário de fato, foi demolido para abertura da Rua São Caetano. Mas o prédio sempre esteve envolvido em reformas, lembra o professor. /COLABORARAM DENIZE GUEDES E VALÉRIA FRANÇA

A ponte bandeirante

Viaduto do Chá ampliou o horizonte do paulistano, pondo fim a um confinamento espacial de 350 anos


11 de novembro de 2012 | OESP Metrópole
 
JOSÉ DE SOUZA MARTINS É SOCIÓLOGO, PROFESSOR EMÉRITO DA FACULDADE DE FILOSOFIA DA USP, AUTOR, ENTRE OUTROS, DE UMA ARQUEOLOGIA DA MEMÓRIA , SOCIAL (ATELIÊ EDITORIAL)
 
Os 120 anos do Viaduto do Chá, completados no dia 6, merecem registro e análise pela importância que ele teve na transformação do povoado paulistano na cidade que São Paulo é. Por ele, São Paulo atravessou do passado em direção a um novo presente e ao futuro. Tanto no real quanto no imaginário. Ele foi a Lei Áurea da cidade, libertando-a do confinamento espacial a que esteve condenada por 350 anos. O Viaduto do Chá, inaugurado em 1892, demolido em 1938 e substituído pelo que hoje conhecemos, mudou a economia da cidade, mas principalmente alterou a mentalidade dos paulistanos.

Num painel de bronze do século 19, no Cemitério da Consolação, no túmulo antigo dos operários da Fábrica de Chapéus de Adolfo Schritzmeyer, há em relevo uma vista panorâmica do vale do Ribeirão Anhangabaú. A fábrica aparece na roça, ladeada de canteiros de verduras espalhados por toda sua extensão, a poucos metros do centro da cidade. Anhangabaú tido como maldito, é bom que se diga: desde antes da fundação da vila de Piratininga, era crença dos índios, e continuou crença dos moradores, que aquele era o lugar de Anhangá, versão indígena do demoníaco, um ente dos limites e confins. No folclore paulistano, ficou a cantiga infantil que celebra a ponte antiga e rústica que precedeu o viaduto imponente, em outro ponto: "Eu fui passar na ponte, a ponte estremeceu. A água tem veneno, morena, quem bebeu, morreu". Análises antigas da água do Anhangabaú revelaram que ela continha arsênico.

É só se afastar poucas centenas de metros do centro que o paulistano descobre as encostas do outeiro transformadas em ladeiras: a Ladeira de São João, a Ladeira Porto Geral, a Ladeira General Carneiro, o Beco do Pinto, que desce para a Rua Frederico Alvarenga, onde ficava o necrotério. Resquícios da encosta que, com o muro de taipa, teve funções de muralha protetiva contra os ataques dos índios, como o ataque maciço de 1562, com seus inúmeros mortos e moradoras e moradores capturados e levados. Várias gerações de paulistanos foram educadas na cultura do confinamento, refugiadas quase ao redor do Pátio do Colégio.

A poderosa cultura do confinamento dos moradores, que atingiu sobretudo as mulheres, atingiu também os homens por meio do disseminado costume endogâmico de casarem-se com as primas, sempre alguém "de dentro" da própria família, numa enorme resistência aos "de fora". Desdobramento do lugar da casa de família nessa cultura como lugar de refúgio e verdadeiro esconderijo em relação a uma exterioridade tida como espaço do estranho e do inimigo. A antiga vila e, depois, cidade ajustou-se espacialmente aos requisitos e ameaças desses temores de origem e restringiu-se ao espaço do chamado Triângulo, nos confins do estreito terreno entre o Tamanduateí e o Anhangabaú. Não por acaso, os aldeamentos de confinamento dos índios descidos do sertão e reduzidos à condição servil foram localizados no exterior dos limites representados pelo Rio Tietê e pelo Pinheiros, limites de um cenário da guerra contra o gentio. As pessoas passam e os vindouros se esquecem, mas as determinações espaciais continuam ditando suas regras de convivência, de proximidades e distâncias muito depois de passado o tempo de suas razões de ser.

Os paulistanos urbanos atravessaram os séculos confinados no centro. Sobreviveu desse costume, até hoje, a expressão "vou à cidade", "estive na cidade", para os moradores se referirem ao verdadeiro centro, que é o antigo. O Viaduto do Chá estendeu esse centro até o outro lado do ribeirão. Abriu e modernizou um território novo para a expansão urbana. De fato, para ir do Largo da Sé até o Largo dos Curros, atual Praça da República, antes era necessário passar pelo Largo de São Francisco, descer a atual Rua Riachuelo em direção ao Vale do Anhangabaú, atravessar o ribeirão pela Ponte do Lorena, ladear o Chafariz do Piques e o obelisco que ainda existe pela Ladeira da Memória, usurpada pelas escadas rolantes do metrô, e entrar pela Rua da Palha ou Sete de Abril. O viaduto encurtou o caminho e até diminuiu cansaços, com o bonde puxado a burro. Isso para quem quisesse pagar os tostões do pedágio. Na entrada do viaduto havia cancela e guarita com cobrador. Passava quem pagava. Quem não quisesse, que fosse pelo brejo ou desse a volta imensa.

Pode-se falar no viaduto como marco de nossa revolução urbana justamente porque foi um das mais poderosas obras de demolição da mentalidade de confinamento dos paulistanos e dos paulistas de então. Ao alargar a cidade, ao expulsar as grandes moradias do centro, os novos espaços expressavam uma nova divisão do trabalho e uma nova espacialização da cidade. O Viaduto do Chá contribuiu para difundir o que é próprio do urbano e da modernidade: a fragmentação do modo de vida, a moradia num lugar, o trabalho em outro, a religião em outro, a festa em outro, o transitar como nova e decisiva atividade do estar em lugar nenhum para poder estar, em seu devido tempo, nos diversos lugares do novo modo de viver.

Justiça barra demolição de casarão histórico em SP

Rodrigo Brancatelli - O Estadao de S.Paulo - Metrópole 14/02/2009


Um casarão outrora luxuoso, amarelo e imponente no número 633 da Rua Haddock Lobo acabou se transformando nas últimas semanas em símbolo da disputa entre o mercado imobiliário e os defensores do patrimônio histórico de São Paulo. Para dar lugar a um empreendimento, o imóvel estava sendo demolido às pressas - anteontem à noite, diversos operários arrancavam o telhado e quebravam paredes. Ontem de manhã, no entanto, depois de a Sociedade dos Amigos e Moradores de Cerqueira César (Samorcc) e de a Associação Preserva São Paulo entrarem com ação civil pública para proteger o local, a Justiça de São Paulo concedeu uma liminar suspendendo por 30 dias a demolição do casarão.

Construído em 1918 para Horácio Sabino, loteador do bairro de Vila América (hoje chamado de Jardins), o imóvel era um dos últimos neocoloniais ainda de pé em toda a região da Avenida Paulista. A decisão de impedir temporariamente a demolição não só abre uma disputa judicial entre moradores do entorno e a construtora, como também pode colocar em xeque a atuação do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp), órgão ligado à Secretaria de Cultura que decide sobre os tombamentos na capital.

VOTAÇÃO ESTRANHA

O tombamento do casarão, que havia sido solicitado pelo Departamento do Patrimônio Histórico da Prefeitura (DPH), contou com o parecer favorável dos técnicos da Prefeitura e do conselheiro relator do processo, arquiteto Dácio Ottoni. Presidente do Conpresp, o arquiteto José Eduardo de Assis Lefèvre destacou na reunião do órgão que "a excepcionalidade do imóvel se dá pelo fato de ter sobrevivido ao processo de urbanização e transformações da cidade, bem como por representar uma fase de transição da arquitetura paulistana, de mudanças de parâmetros construtivos".

Mesmo assim, contrariando os pareceres técnicos, o tombamento foi rejeitado no começo de fevereiro pelo Conpresp por 5 votos a 4 - com os votos contrários dos representantes da Secretaria de Habitação, Elton Santa Fé Zacarias; da Secretaria de Planejamento, Miguel Luiz Bucalem; da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção São Paulo, Marcelo Manhães; da Câmara Municipal, Toninho Paiva; e do Instituto de Arquitetos do Brasil-Departamento de São Paulo (IAB-SP), Vasco de Mello. O Conpresp terá agora de prestar esclarecimentos à 1ª Vara da Fazenda Pública da Justiça Estadual.

Mesmo que a demolição seja barrada definitivamente, muito pouco restou do casarão. "Só tem umas paredes em pé, até o teto já foi tirado", diz a presidente da Samorcc, Célia Marcondes. "Mas muita coisa ainda precisa ser explicada. Por exemplo, por que o pedido do tombamento foi estranhamente derrotado e como os proprietários conseguiram um alvará para a demolição apenas dois dias depois da votação no Conpresp? Os moradores do bairro às vezes esperam dois ou três meses para conseguir autorização da Prefeitura para demolir."

Casarão na Haddock Lobo é demolido

OESP Metrópole C8 1311/202

Por Rodrigo Burgarelli

Um casarão de quase um século de idade, que ocupava o número 141 da Rua Haddock Lobo, na região da Avenida Paulista, foi demolido há cerca de duas semanas por uma construtora. Famoso por abrigar por 12 anos o restaurante Pão com Manteiga, ele data do início do século 20 e era um dos "xodós" dos amantes do patrimônio histórico paulistano. Outras duas casas no mesmo quarteirão também foram demolidas e vão dar lugar a um empreendimento imobiliário da construtora Even.

A demolição causou revolta entre ONGs e aficionados pelo patrimônio. "Não era um casarão qualquer. Era um casarão estilo neocolonial, altamente representativo da época em que foi construído" afirmou Jorge Eduardo Rubies, presidente da ONG Preserva São Paulo. A entidade entrou com pedido de tombamento no início do ano para o conjunto de casarões, um dos poucos que restaram na região das Ruas Haddock Lobo e Bela Cintra, do lado do centro.

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp), porém, negou o pedido e mandou arquivar o processo. "O casarão estava preservado, era relevante e tinha todos os pré-requisitos para ser tombado. Não adianta mais pedir o tombamento de nada no Conpresp. São os que deveriam cuidar do nosso patrimônio, mas nunca atendem aos nossos pedidos", reclamou Rubies.

A Secretaria Municipal de Cultura afirmou apenas que o assunto foi examinado pelo Conpresp em junho deste ano e a deliberação contrária ao tombamento foi unânime.

O imóvel ainda estava nas mãos da mesma família que o ergueu e foi vendido diretamente de uma das herdeiras à incorporadora. O dono do Pão com Manteiga, Arnaldo Príncipe, já mudou o endereço do restaurante, que agora funciona em um sobrado na Alameda Campinas. Ele também se revoltou com a demolição. "Estão deixando a cidade mais feia", disse.

O restaurante ocupou o casarão no ano 2000, após mais de duas décadas de abandono. "Não tínhamos condições de comprar e a incorporadora joga pesado. É bravo. O que a gente faz com um País que não preserva sua história?"Nem ele nem sua esposa - que também é sócia do restaurante - quiseram ver a demolição. "Aquela região já está completamente saturada. Agora vai ficar ainda mais."

Histórico. A construtora Even virou alvo dos defensores do patrimônio histórico em junho de 2011, quando demoliu um dos seis únicos casarões que restavam na Avenida Paulista. Procurada, a empresa disse que "obteve as autorizações necessárias à execução do empreendimento comercial, aí incluída a demolição dos imóveis no local".